segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Crônica de segunda: Os tiras da pesada

Por: O Pedro Henrique

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Absolutamente todo maconheiro estereotipado tem um relato verídico sobre o dia em que foi pego fumando baseado pelos homi. Eu como faço jus a todo estereótipo possível sou um deles. Era uma quinta-feira, eu e Ádila – minha boladora de beck oficial – fomos fumar na pracinha localizada no centro de Juiz de Fora, como sempre fazemos. Conversa vai conversa vem, altas filosofia sob efeito da Maria Joana. Cansei deste parágrafo, vamos pro próximo.

Abre parênteses: Há duas semanas fui assaltado por dois rapazes, perdoem-me mas tenho que usar este eufemismo, escurinhos, me apontaram uma faca, levaram meu celular, e etc… Enfim, eu achei que isso era sentir medo, mas nana nina não, medo foi o que eu senti nessa respectiva quinta-feira cabulosa.

Estávamos no segundo baseado, sim eu sou fominha, fico chapadíssimo e idiótico – poxa, meu word não riscou “idiótico” de vermelho, achei que eu tinha inventado essa palavra, mas agora acabo de descobrir que ela já existe, e está inserida na vastidão do português – com apenas duas tragadas, mas sou obstinado, carpe diem, bora fumar o baseado inconsequentemente acabar com o beck e ficar sem pra amanhã. Enfim, de repentemente, do nada, a Ádila arregalou os olhos escarlates.

“Pedro, ferrou, a polícia!”.

Olho pra trás, ô carai, os tira, bem que mamis falou pra eu não fumar bagui, porque um dia os poliça ia me pegar, fodeu, vou ser preso, e agora, eita porra, enfim, pensei uma caralhada de coisas naquele brevíssimo instante.

“Só pode tá brincando comigo, cês acha que aqui é Holanda, porra!?”

“Não, aqui é Juiz de Fora Temer.”, eu corrigi.

“Tá tirando onda? Apaga e engole esse baseado agora!”

O outro policial chegou nesse meio tempo, começou a xingar e fazer tumulto, pagar de machão, de herói do crime. A praça toda se voltou pro nosso banco, filho da puta!

“Cara, para de gritar, só tamo aqui fumando numa boa”

“Cara!? Cê tá me chamando de ‘cara’, cê acha que tá falando com quem?”

“Desculpa, senhor… Cara.”

“Ele não engoliu a maconha ainda”.

Balancei a cabeça que sim, ele me pediu pra mostrar a língua e viu que eu não tinha engolido, tava com uma halls na boca, além do beck. Ele gritou, mandou eu engolir. Tirei o baseado da boca e falei que não ia engolir, aquilo era abuso de autoridade, contei que fui assaltado duas semanas atrás e não tinha nenhum policial por perto, eles ficaram putos comigo e ameaçaram levar a gente pra delegacia.

“Pedro, engole.”, disse Ádila que até aquele momento estava absorta, apavorada.

Me resignei e engoli, nunca havia sido tão humilhado em toda a minha vida, senti raiva, vergonha. Eles mandaram a gente fumar em casa na próxima vez e nos expulsaram da praça.

“Tenham uma boa noite, senhores”, eu disse quando saí.

“Boa noite é o caralho!”

Certeza que se eu fosse preto teria apanhado.

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Sobre o autor

O Pedro Henrique

"O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando." João Guimarães Rosa

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