quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sobre o Enem, as nossas Escolhas e Felicidade

Por: Erick Morais

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Depois de alguns anos, retorno a vida de vestibulando. Vou fazer o Enem e, embora esteja menos nervoso do que há alguns anos, sempre dá um friozinho na barriga. Curioso é que desta vez, farei junto com a minha irmã, no mesmo local e na mesma sala. Ela iniciando a sua vida adulta, com as sementes dos seus sonhos na mão, preparando o terreno para semeá-las; e eu com as minhas sementes já não tão novas, preparando com esforço uma terra desgastada por um cultivo que não deu frutos.

Acho que neste momento a vida adulta começa. Nele sentimos o pesado fardo de sabermos que a escolha que fizermos mudará de algum modo as nossas vidas. Por isso, é preciso mais do que nunca de paz interior e de um olhar forte e sincero no espelho, a fim de que possamos nos enxergar verdadeiramente como somos e tudo que há dentro de nós.

Apenas, desse modo, conseguimos seguir o nosso coração e fazer a escolha que de fato queremos para as nossas vidas. As profissões que sentimos que nascemos para exercer, e não somente reproduções que os outros querem para as nossas vidas. Seja quem for, ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos, de tal maneira que não seguir o que fala mais alto dentro de nós é somente sufocar a nossa essência, e sem esta o que somos?

Não adianta pensar apenas no lado financeiro, se o mercado para determinada área está se expandindo, ou na valorização social que determinados cursos recebem. Não adianta, porque escolher fazer um curso e, consequentemente, trabalhar com algo que você não gosta, por mais dinheiro que possa ganhar e tapinhas nas costas que possa receber, jamais deixará você feliz e satisfeito consigo ao olhar-se no espelho, o qual outrora evitou por medo.

Eu sei que é difícil agir com essa maturidade quando se é um adolescente, sem experiência suficiente, cheio de dúvidas, angústias e medo. No entanto, é preciso que sejamos corajosos para enfrentar tudo isso e a pressão social que a sociedade hipócrita e triste que vivemos nos impõe, uma vez que o tempo é algo irrecuperável e, portanto, precioso. Sendo assim, escutar a voz que fala dentro de cada um de nós será sempre a melhor opção, pois não somos recortes de outras vidas. Temos vida própria, sonhos próprios e precisamos ser fiéis a eles.

Apesar disso, alguém pode falar: “Isso é conversa fiada, o importante é ganhar dinheiro. O trabalho não importa”. Pena de quem pensa assim, pois são pessoas sem paixão, totalmente pragmáticas e programadas pelo status quo. A meu ver, acredito que se nós passamos a maior parte do tempo da nossa vida adulta trabalhando, é melhor que seja com algo que nos alegre de alguma forma. É aterrorizante ver as pessoas desesperadas para chegar o fim de semana, o feriado, as férias, porque simplesmente odeiam seus trabalhos.

Você não precisa ser assim. Se o seu coração diz que você deve fazer determinado curso, faça, independente do que pensarão de você. Não se preocupe com dinheiro, e sim, em se tornar um grande profissional, pois de gente “meia boca” o mundo já está saturado.

Siga o seu coração ainda que seja para errar e perceber que fez a escolha errada, pois esta foi sua, somente sua e a liberdade de poder errar com as próprias mãos é algo inestimável. Siga o seu coração mesmo que seja um recomeço, porque quando a terra é arada com amor, até sementes velhas geram frutos suculentos e bonitos, os quais poderão saciar a fome de muita gente.

Siga o seu coração, mas não se esqueça de que todos nós somos diferentes e, por conseguinte, a prova e o seu resultado produzirão resultados diferentes em cada um. Em alguns diante da prova reina a certeza, sobre outros pairam dúvidas e para alguns ela é a oportunidade de recomeçar. Todavia, apesar das diferenças, em todos os casos há algo em comum a ser aprendido, seja você uma exclamação, uma interrogação ou reticências. Esse algo comum é a aprendizagem de que jamais devemos abandonar os nossos sonhos, já que como dizia Nietzsche: “Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo”.

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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