quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Reflexão sobre a Teoria do Caos

Por: Flávia Farhat

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Você sai de casa pela manhã, no horário de costume, entra no carro e começa a dirigir até o trabalho. Você está cansado porque saiu na noite passada e tomou alguns drinks a mais, perdeu a carteira e não teve energia para preparar um café preto ao acordar. Você escolheu tomar uma xícara de chá. Você está sonolento, e acaba cruzando um sinal vermelho sem perceber.

Do outro lado do cruzamento, ela está ansiosa para chegar ao aeroporto. Ela acelera um pouco antes de ver o sinal abrir, porque não quer se atrasar. Seus carros colidem com força. Vocês descem para discutir; você, distraído, ela, agitada. Decidem que a culpa não foi de ninguém, mas você insiste em pagar os danos. Afinal, você fez com que ela perdesse o voo. Marcam um jantar. Depois outro e mais outro. Vocês se casam e você nem lembra mais do sinal que estava fechado.

E se você não tivesse saído naquela noite? E se, pela manhã, tivesse acordado cinco minutos depois? Se tivesse tomado café preto, se tivesse freado no sinal?

E se ela tivesse conseguido pegar o voo? E se escolhesse não parar o carro, se seguisse em frente depois da batida?

Essas perguntas começaram na década de 60, do mesmo jeito que quase todas as perguntas começam: com reflexão. O meteorologista Edward Lorenz realizava um experimento que simulava os movimentos das massas de ar, e ficou surpreso ao perceber que uma mudança microscópica nas condições iniciais podiam gerar consequências enormes no fim. Chamou de Efeito Borboleta. Chamou de Teoria do Caos. Reformulou: “O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque”.

O novo pensamento transformou a forma como enxergamos o mundo. De repente, não existia mais certeza de nada, não precisava existir. O novo pensamento transformou crente em ateu. Foi fio condutor de excelentes filmes: De Volta Para o Futuro, Efeito Borboleta, Sr. Ninguém, Ponto Final. Esse último, uma aula de encontros e desencontros assinada por Woody Allen.

Nossas escolhas ganharam importância imensurável. Chegamos à conclusão de que cada passo dado, cada palavra dita, pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas para nosso futuro. E podem, certo? Tomamos decisões baseadas em nossas experiências de vida, pesando prós e contras e tentando mirar nos acertos. Jamais teremos certeza, entretanto, do que aquele outro caminho guardava para nós.

Agora entenda: a beleza da Teoria do Caos está justamente na possibilidade de mudança. Você não está destinado à infelicidade, ou à felicidade, ou à riqueza ou ao fracasso. Não existe um ponto final, uma linha de chegada. Você pode ir pelo caminho que bem entender, e se no meio da viagem descobrir que dobrou na esquina errada, pode ter certeza de que tudo aqui é passageiro. Porque daqui a pouco vai se deparar com um novo sinal vermelho, e vai poder escolher avançar ou parar, e tudo vai se transformar mais uma vez.

Perdemos o presente por estarmos presos ao passado, imaginando o que poderia ter sido se tivéssemos escolhido diferente, se seríamos mais felizes, se seríamos melhores. A Teoria do Caos quer que você entenda uma coisa: tudo sempre vai mudar, novas escolhas continuarão sendo feitas, e seu destino não está selado dentro de um envelope.

Por isso, não se apegue muito ao capítulo que você estiver vivendo agora, qualquer que seja. Daqui a pouco uma borboleta bate suas asas, e tudo muda mais uma vez.

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