quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

5 escritores fodidos pra ler antes de morrer

Por: Erick Morais

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Se você acha a sua vida ruim, a vida desses escritores vai fazer você se sentir um pouco melhor.

Todos temos dias ruins. Às vezes períodos em que tudo dá errado e nos desesperamos, mas eles passam na maioria dos casos. No entanto, há aqueles em que esse período dura do nascimento até a morte, com breves momentos de felicidade ou falsa alegria. Com escritores não seria diferente. Muitos tiveram vidas cercadas pela pobreza, alcolismo, tragédias familiares, doenças (é melhor parar por aqui). Daria para fazer uma lista longuíssima sobre quem e por quê. Preferi escolher cinco por serem icônicos e referências no quesito tragédias.

Lembre, esta é uma lista subjetiva e poderia ter outros nomes. Isso não significa que você precisa desgraçar o autor deste texto com ataques desnecessários sobre faltou a ou como esqueceram de b (prefiro não colocar o que por vezes segue os trechos em itálico.)

Aproveite (ou não).

 

JACK KEROUAC

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Nascido numa família católica de franco-canadenses, Kerouac teve um infância conturbada. Até os seis anos falava apenas francês e não se sentia a vontade falando inglês até os dez ao menos. Muito apegado a família, teve na figura da mãe uma amiga e uma dominadora – se por um lado ela sempre o acolheu e o ajudou, por outro sempre foi uma figura autoritária que contribui muito para a sua instabilidade emocional. Perdeu o irmão Gerard de seis anos após longo período de sofrimento. Isso aumentou o catolicismo da sua mãe – e consequentemente o dele – e tornou seu pai uma pessoa indiferente ao mundo, jogando na bebida, no fumo excessivo e no jogo. Foi um astro escolar no futebol americano, mas uma lesão o tirou da carreira profissional. Se envolveu com os beats, foi preso por ajudar um amigo num crime, passou muitos anos na pobreza, morando com a mãe em Ozone Park, Nova York, perambulou pelos Estados Unidos e pelo México sem muito dinheiro. Passou anos tentando publicar enquanto se dedicava à escrita, ao álcool e à religiosidade. Quando finalmente publicou On the road, tinha uma saúde razoavelmente debilitado – por mais heroica que seja a história de On the road, o corpo cobrou o seu preço. Passou o resto da vida negando tudo que fora e não era mais. Se afundou no alcoolismo, na rejeição dos fãs que esperavam que ele ainda fosse o vagabundo das estradas aos quarenta – há uma cena maravilhosa que mostra este sentimento em Big Sur –, na religiosidade como última esperança. Morreu de cirrose na casa da mãe aos 47 anos.

 

LOUIS-FERDINAND CÉLINE

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Céline é o tipo de fodido raro: não bastava as desgraças que a vida lhe oferecia, ele ainda se esforçava para fazer as escolhas erradas. Filho de uma família com algumas posses que foi empobrecendo ao longo dos anos, entrou na onda patriótica francesa do início do século passado – e também no exército. Vivenciou a Primeira Guerra Mundial e seus horrores enquanto mensageiro. Ferido, retornou para casa cheio de traumas e raiva do mundo. Tentou enriquecer na África sem sucesso. Aos trancos e barrancos se tornou médico, viajou pelo mundo antes de se fixar em Montmartre, mas começou a escrever e seus dois primeiros romances causaram uma impressão positiva nos intelectuais franceses. Poderia ter esse final feliz. Então veio a onda nazista. Ao contrário da maioria dos compatriotas, Céline apoiou o regime alemão, inclusive escrevendo panfletos antissemitas. A guerra terminou com a vitória dos aliados e com a sua fuga da França. Perseguido e depois preso, foi sentenciado com brandura. Acabou seus dias como um pária no próprio país que ele supostamente achava defender. Apesar do sucesso de crítica de seus últimos livros, Céline perdeu a chance de ganhar o Nobel de Literatura, sobrando-lhe apenas o merecido desprezo.

 

FIODOR DOSTOIÉVSKI

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Para não ser muito longo, vamos aos fatos. Dostoiévski odiava seu pai, um homem autoritário e cruel. Esse sentimento o perseguiu a vida inteira, mesmo após o assassinato cometido pelos próprios servos dele. Formou-se engenheiro obrigado, mas acabou seguindo a carreira de escritor. Juntou-se ao Círculo Petrashevsky, um grupo de niilistas com inclinação política revolucionária. Foi preso, deportado para a Sibéria e condenado à morte pelo czar. No último minuto (literalmente) recebeu clemência e passou uma temporada no exílio. Sua fé cresceu consideravelmente nesse período, tornando-o obsessivo com o tema, principalmente após a sua experiência de quase morte. Após sair da prisão, se tornou um escritor de sucesso, respeitado por todos – o que não o impediu de passar por um sem fim de martírios. Seu casamento foi conturbado e a situação piorou ainda mais depois da morte da sua filha, Sonya, com apenas três meses. Viciado em jogo, o escritor era assediado constantemente por credores (Reza a lenda que O jogador foi baseado nas suas experiências. Além disso, dizem que ele foi ditado à sua secretária e que foi escrito em tempo recorde, por volta de 20 dias, pois seus credores esperavam o lucro do romance.) Morreu triste e sem completar aquela que, segundo ele, seria a sua grande obra: uma continuação de Os irmãos Karamazóvs.

 

JOHN FANTE

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Nascido numa família ítalo-americana, Fante nunca se adequou à sociedade americana. Viveu o começo da vida adulta na Califórnia em meio à grande depressão econômica – que não foi boa para ninguém. Abandonou a faculdade para se tornar escritor no meio do contexto supracitado, o que não foi uma boa ideia. Passou anos na pobreza, apenas escrevendo e sobrevivendo como podia. Não conseguia publicar seus contos, pois os editores o consideravam sujos demais. O sucesso dos seus primeiros romances foi pequeno, dando apenas para viver e pagar as contas. Apenas na velhice foi reconhecido por fãs como Charles Bukowski, que incentivaram a republicação da sua obra. Passou o fim da vida cego devido à diabetes, ditando seus textos.

 

CHARLES BUKOWSKI

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Há pessoas com vidas ruins, vidas muito ruins, vidas extremamente ruins e Charles Bukowski. É incrível pensar que ele tenha sobrevivido até os 73 anos – e a si mesmo. Filho de uma alemã e um soldado americano, nasceu na Alemanha. Mais tarde, durante a outra guerra, enquanto todos iam defender o país nos combates, Bukowski foi negado, entre outros motivos, por causa do lugar do seu nascimento, sem contar que foi obrigado e sentir o peso de ser alemão num período em que isto era sinônimo de nazista. Sua família se estabeleceu em Los Angeles ao retornar aos Estados Unidos. Então veio a grande depressão econômica, seu pai perdeu o emprego e começou a desenvolver uma personalidade cruel. Frustrado por sair de casa todo dia e não encontrar emprego, batia em Henry pelos motivos mais fúteis. As surras, que duraram até o fim da adolescência, conviveram com um acesso de acnes pelo rosto, pescoço, ombros e costas. E ainda nem chegamos à vida adulta. Depois de entrar na faculdade e largá-la logo em seguida, Bukowski começou o estilo de vida que levaria por anos. Primeiro viajou pelos Estados Unidos, morando em lugares tenebrosos e se entregando cada vez mais ao alcoolismo. Voltou à Los Angeles, arranjou empregos terríveis até conseguir um emprego de carteiro, largá-lo e depois, após implorar, retornar aos correios numa função repetitiva que o obrigava a passar por testes sazonais para manter a vaga. Há muito mais coisas ruins sobre sua vida, mas é melhorar parar por aqui. Para mais informações, leia Bukowski.

 

Fonte: José Figueiredo/Homo Literatus

 

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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