quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Semeando nossas Dores

Por: Lucas S. Ferreira

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Obviamente que todos nós temos nossas alegrias e nossas tristezas misturadas todas em um só pote, que somos nós mesmos. As coisas nos completam, formam nossa identidade e juntam-se num quebra-cabeça para nos construir como pessoas. Pedaço por pedaço buscando um encaixe, à vezes não tão perfeito, mas que serve ali, pelo menos por alguns momentos.

Só que existe também a sensação de que sempre tem uma peça faltando, um espaço que não encontra nada que possa aparentemente ocupá-lo.

Podem ser espaços cheios de dores, cheios de lágrimas, cheios de solidão, de palavras que foram mal ditas, cheios de perdas…  Enfim espaços vazios, cheios de coisas que nós não queríamos que estivessem ali.

Não dá pra evitar. Eles sempre estarão ali.

Isso não é ser pessimista, mas realista sobre como as coisas devem ser. Não adianta fingirmos que certos fatos não nos aconteceram se eles estão escancarados pra gente a cada manhã que nasce ou a cada noite de pesadelos que temos.

Uma atitude interessante para compensar esses buracos, ou essas peças que estão sempre faltando em nosso quadro continuamente em construção, é o que fazemos com tudo isso.

Podemos semear nossas dores de duas formas.

Uma delas é semear num terreno muito fácil de florescer que é o de tornamo-nos pessoas amargas, ressentidas, quietas, distantes, arredias, impenetráveis, que não acreditam mais em relacionamentos, que ficam gritando a todo tempo que o “amor” não existe, que amizades só servem pra algumas pessoas, que confiança é uma ilusão, que sucesso é só pra quem tem dinheiro, que família é uma instituição acabada, que perder é rotina, que você não tem o que é necessário para ser feliz, que você é incompetente, feio, chato e merece todas as coisas de ruins do mundo.

Isso é tão fácil de fazer crescer e se espalhar que você nem se dá conta quando tudo já foi coberto por esse musgo grosseiro e escuro de dores ruins. Você simplesmente passa a fazer parte desse jardim, que a seus olhos é a única coisa que o mundo pôde lhe oferecer.

A outra forma de semear suas dores, você já deve ter adivinhado, é fazer com que elas se tornem dores boas… é dá pra dizer que nossas dores podem se tornar boas…

Fazemos isso quando aprendemos com as situações que passamos, que enfrentamos, e que depois de sairmos machucados, saímos ainda vivos. Podemos semear experiências, compartilhar aprendizado, podemos nos tornar mais resistentes, podemos nos tornar mais compreensivos, e mais atentos a nossa volta.

Podemos buscar mais amor e dar mais abraços. Podemos rever nossos conceitos, mudar algumas opiniões e enxergar que, talvez, tenhamos parte nas coisas que nos aconteceram. Podemos distribuir perdão, mesmo que isso não signifique esquecer, e podemos dar mais sorrisos, porque perdemos muitos chorando. Nos tornamos resilientes, ou mais resilientes.

Podemos semear novas peças e preencher os espaços da forma que quisermos. Somos livres pra isso, mas o interessante seria tentar completar o quadro com o que é agradável de se ver.

Observar a nossa vida, mesmo que nela tenha peças escuras, não precisa ser um ato penoso e entediante, afinal o desenho derradeiro é composto de tudo isso, depende da interpretação que você dá para o quadro.

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Sobre o autor

Lucas S. Ferreira

Mineiro, Psicólogo por formação, escritor por insistência, desenhista por hobbie e pianista por não ter mais o que fazer!

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