quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Por que é tão difícil equilibrar as emoções e os pensamentos?

Por: Laís Sales

post

No mundo atual, a razão frequentemente se sobrepõe à emoção. Somos levados a acreditar que precisamos saber separar nossas vivências emocionais das tarefas e compromissos do dia a dia. Fundados na teoria de Descartes, tentamos interromper a alma de comunicar-se no corpo, na tentativa de romper a ligação entre estes, uma vez que para o mesmo estudioso a mente ou a alma é separada do corpo. Assim, o mundo objetivo torna-se um e o subjetivo outro. Mas, a vida não é relação? Como se constitui o eu senão em relação com o outro? Da mesma maneira, o mundo interno e externo estão em constante interação.

Mas, tentamos enquadrar as emoções em caixinhas e logo percebemos que daqui a pouco elas vão sair por aí tomando o espaço que de fato lhes cabe, elas aparecem nos choros “sem motivos”, nos acessos de raiva, no riso descontrolado, nas patologias da alma manifestadas no corpo: depressão, ansiedade, síndrome do pânico, câncer, gastrite… e tantas outras. Precisamos entender que somos um todo e qualquer teoria, pensamento ou ação que compartimente a vida, pode nos levar ao adoecimento.

Como assim? Vamos pensar na prática de um professor, imagine que ele está tão envolvido com sua matéria e seu exercício profissional que não consegue se desvincular deste, nem sequer por um momento. Ele é professor na escola, em casa, na comunidade religiosa, no bairro, ele está tomado por seu papel social. O mesmo pode acontecer com uma mãe, um pai, filho, empresário… enfim, os papéis que temos podem nos tomar, a este processo denominamos persona inflada. A persona é a máscara que usamos para a relação com o social, segundo a psicologia analítica fundada por Carl Gustav Jung.  Dessa maneira, a vida unilateralizada é uma vida sem crescimento, quando nos agarramos a um rótulo ou um papel impedimos a vida de fluir, nos impedimos de crescer. E, aquilo que vivenciamos internamente também pode nos tomar, quando dizemos que alguém vivencia a depressão, esta pessoa pode se ater a isto de tal maneira que perde a sua identidade, ela passa a ser a depressão, justifica suas escolhas com base em “ter depressão” e novamente temos um exemplo de  unilaterização.

Não se trata de viver só o interno ou somente para o social, mas o real tratamento é compreender como este interno e externo se relacionam e criam eventos no viver. O ideal é falar do que sentimos, sentir e dar vazão ao que somos, utilizar a razão como ajudadora do sentimento e vice versa. Vamos tentar conciliar estes opostos que habitam em nós, já que “ a resolução potencial de qualquer conflito é constelada sustentando-se conscientemente a tensão entre os opostos”  (Sharp, Conhecendo a Si Mesmo) e parafraseando Carotenuto (Eros e Pathos), quando fala do amor, podemos dizer que a vida é, sim, uma confusão, uma desordem, às vezes, perturbação, irritabilidade, mas só do caos nasce uma nova existência. E,  como fazer isso? Faça terapia, leia, crie estratégias, busque um ponto de encontro com a sua alma, ache a sua forma de viver melhor a vida.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on TumblrPin on PinterestEmail this to someone
Sobre o autor

Laís Sales

"Apenas uma gota no oceano da vida"

COMENTÁRIOS

BUSCAR

facebook instagram twitter youtube

Tem uma sugestão?

Indique um post!

NEWSLETTER