sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Enviando um sinal de vida!: A dificuldade da comunicação na era tecnológica

Por: Elienae Maria Anjos

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Estou correndo atrás dos momentos lentos… Estou com extrema pressa de usar meios de experimentar a vida e de me comunicar com o mundo de forma que não precise nunca mais de urgências.

“Estava lendo alguns e-mails que trocamos, e em um deles você disse que não há nada mais mágico pra você que receber um e-mail, então me desculpe ter passado tanto tempo sem lhe enviar um.”

                                                                                                                                        Ádilla

Neste trocadilho tão intenso e engraçado começo a contar sobre algo que li no dia vinte e quatro de dezembro. Recebi um lindo e-mail de minha amiga, há muito tempo não trocávamos ideias por esse meio de comunicação tão pouco usado ultimamente. Ele pode ser chamado de e-mail ou endereço eletrônico, você é quem escolhe como chamá-lo! Bem, temos o número de telefone uma da outra. Às vezes dizemos um “olá”, enviamos um vídeo, imagens um tanto clichês que recebemos no aplicativo Whatsapp. Mas… não é a mesma coisa, não sinto a “graça” de um encontro vibrante como o de amigos, por isso não me sinto incentivada a me manter diante daquela tela. Nada contra o App, até porque eu o tenho, apesar de me desfazer inúmeras vezes dele e sempre voltar a usá-lo, por pensar que sem ele muitas pessoas queridas de longa distância não teriam um fácil e rápido acesso à Elienae, já que atualmente, não tê-lo, não acessá-lo é como deixar de existir, não ser o moderninho, não participar da turma.

Confesso que meu queridinho mesmo é o Telegram, por ele ser simples, ter várias opções legais de editar e escrever, ainda não ser estrela no Brasil, e por isso mesmo, se torna oculto e raramente utilizado por alguém. Tipo assim, um App feito para pessoas como eu, que vivem mais nas entrelinhas saboreando pouquíssimo do visor, e quando finalmente um dos cinco amigos ou o único sobrinho que usa me chama, me dedico com o maior prazer e sem reservas… Mas acredito mesmo é que fora da tela, de cabeça erguida, com o olhar mirando o que está a minha frente e ao mesmo tempo tentando captar todos os ângulos da vida, eu consigo enxergar muito melhor todos os olhares, eu posso observar como é curioso e\ou interessante as histórias de vida das pessoas, posso apreciar as cenas reais da vida que estão constantemente em rotação diante de mim, ter longas e profundas conversas, como as que eu tenho quando estou em meu trabalho com as minhas clientes. São horas mágicas com muitos efeitos benéficos que trazem energias para prosseguir! Desconectada também fico diante do céu de noite ou durante o dia por várias vezes, acessando o por do sol, as nuvens e as estrelas tão lindas que sempre me remetem as telas de Van Gogh…

Aahhhh… é fantástico ter uma ampla visão de tudo! No visor do smartphone ou Iphone, as dimensões são curtas, limitadas. E para se ter uma tela com visão mais “ampla”, tipo de 6, 7 ou mais polegadas nas mãos, paga-se caro, muito caro! Caro por tão pouco, por tão pequena e reduzida visão da existência. Por isso, bom mesmo é enxergar tudo e todos fora do foco contemporâneo tecnológico. A conexão da vida real é de graça, rica de cores, sons da natureza, de inúmeras vozes, canto dos pássaros, dentre tantos outros barulhinhos, murmúrios e sinais tão sutis que podem ser captados pelos nossos ouvidos e nem precisamos de fones espetaculares.

Lendo as minhas reflexões, talvez você pense que sou 100% contra os brinquedinhos usados para se manter o relacionamento no mundo atual… não, não sou contra, só gosto do equilíbrio e do bom senso. Gosto é de não abrir mão do que já existia entre os seres humanos e que sempre estará além da criação do Android ou outro sistema operacional. Valorizo o contato humano, e se possível, que seja diário, imprescindivelmente sensível e sincero! Não estou discriminando os relacionamentos à distância que passaram a existir através desses meios para se conversar, matar saudade e resolver inúmeros assuntos… Não, não… não estou fazendo crítica aos amigos e contatos virtuais. Dependendo da pessoa, chega a ser uma ofensa chamá-la de contato virtual, de tanta carga de presença palpável que ela nos traz. Penso que nem sempre contato diário significa aquele que é pessoalmente físico, geograficamente perto. Hoje o que mais se encontra são casais e famílias reunidas em um mesmo local com cada um repetindo a posição da famosa obra O Pensador, (Le Penseur) do escultor francês Auguste Rodin. Porém nesse caso, não há só uma pessoa compenetrada em sua meditação. Em nossa realidade, vários corpos ficam “perto” um do outro ou em um local compartilhando uma mesa de restaurante, mas totalmente separados pela atenção comprometida com tela ligada do lazer embutido em um aparelho de smartphone.

Mas, prosseguindo nesse assunto sobre minha forma de pensar sobre relacionamento tecnológico, sabe o que gosto de verdade no mundo virtual da comunicação? Não me sentir escrava, nem submissa a esse mundo. Porque o que me faz bem de verdade é parar um pouco a correria que vive me atropelando constantemente parar ficar de frente comigo mesma ou cara a cara com as pessoas distantes/presentes, tentar viver sem pressa. Levo a minha vida sem me viciar no uso do meu notebook ou smartphone. Procuro ler um livro, assisto filmes, olho minha cx de e-mail, verifico se há novidades vindas de tantos amores que passei a conhecer através dessa tecnologia, mesmo que seus números estejam inseridos na agenda e aparecendo também nos Apps do meu smartphone. Não me causa ansiedade o fato de algum amigo estar naquele momento conectado ou não. Não paraliso a minha vida esperando as notificações das bolinhas verdes, lendo status “disponível”, “ocupado” ou no exato momento em que vejo alguém “digitando…”. Aprecio visualizar que ali em meu serviço de e-mail há um texto feito com muito carinho, especialmente enviado para mim por alguém que também tenta andar na contramão das atualidades agindo diversas vezes da seguinte forma para não cair nas banalidades da vida: retirando os olhos do relógio, desconectando os dados e o wi-fi de seus aparelhos, desligando-se também, porque é necessário diminuir o ritmo ansioso e acelerado dos pensamentos, da rotina e abrir um leque de possibilidades para encontros, desabafos e uma lenta viagem através da leitura de uma carta virtual enviada por alguém especial. Bom mesmo é direcionar o tempo para esses raros momentos tão fora de moda que não necessitam de respostas imediatas e nem presença instantânea.

Não, não é necessário correr para se ter tempo. É essencial viver sem a pressa da resposta como nos antigos e maravilhosos tempos das cartas físicas que quando chegavam, traziam verdades e amores. Diante do carteiro, a longa e ansiosa espera se desfazia em segundos contemplativos daquele papel que traziam não só a escrita que revelava as emoções de quem escreveu, mas os sinais dos toques e o aroma de quem enviou. Dependíamos do tempo sem nos sentir aprisionados nele. Ele era percebido por nós como um condutor paciente das mudanças, das metamorfoses e do crescimento detalhista e observador dos relacionamentos. Vivíamos as passagens cotidianas sem pressa.

É necessário refletir devagar, observando tudo o que há dentro de nossas mentes, para valorizar antes de julgar e com serenidade, aguardar a resposta e viver aquele momento sereno em que as pessoas se libertam de suas vidas frenéticas e ocupadas para compartilhar um pouco de si por um e-mail nos segundos e minutos calmamente vividos. Que sejam poucas palavras, quando não é possível longas páginas, porque não é necessário muitas para ser presente… isso me fez lembrar de um amigo que na época que trocávamos mais e-mails e SMS, ele iniciava algumas vezes assim: “enviando um sinal de vida!” é isso que importa… é isso que valorizo e quero praticar mais vezes. Que eu pare para enviar um sinal de vida para todos que estão presentes em meu cotidiano. Mesmo que não haja possibilidades para alguns de enviar um e-mail, uma carta, fazer uma ligação ou até mesmo enviar um SMS (adoro SMS! rs), que nós possamos ter o controle sobre essas opções de comunicação e não elas sobre nós, controlando-nos por esses meios tão simples e de rápido contato. Que eles não ocupem apenas nossos aparelhos e nossa história somente por moda ou para que não nos tornemos desatualizados na vida. O que não é legal e não podemos deixar acontecer é que venhamos a nos desligar, desplugar, desconectar das pessoas distantes ou presentes e que são reais e fundamentais… presentes de Deus que passaram a existir no momento em que nós as conhecemos através de tantos meios tecnológicos. Através deles surgem muitas conversas que não querem aceitar o ponto final na fala e na amizade, mesmo que a carga da bateria caia e que temporariamente nos falte um carregador e uma tomada por perto! rsrs…

Termino esse texto com minhas queridas reticências… porque é preciso prosseguir o caminho, pausando por um momento as respostas, dando a elas o encantamento de que ainda há muito o que dizer nos próximos encontros com todos vocês, que acontece não apenas através de nossos sentimentos e vontades, mas também contando com a ajudinha essencial dos satélites e torres das operadoras… rsrs

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Sobre o autor

Elienae Maria Anjos

Uma criança-mulher que não quer deixar de crescer na sensibilidade. Que brinca com seus lápis e tintas nas telas palpáveis e visionárias do emocional. Que aprendeu a escrever nos papéis virtuais o que só o diferente entende. Amiga dos livros físicos e humanos. Amante dos pensamentos. Eterna admiradora da Sétima Arte. Apaixonada por lágrimas e sorrisos. Mãe de cinco gatos. Enfim, habito dentro do refúgio que há em minhas escolhas e em tudo o que escrevo, que vai além do meu infinito, mas, em minha varanda emocional há um espaço para quem queira se aproximar...

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