terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Das Dores e Das Alegrias de Ser Terapeuta

Por: Laís Sales

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Aos olhos dos pacientes, nós, os psicólogos e analistas, estamos sempre lá, no horário marcado, no dia devido, sentados à mesa ou em uma poltrona que junto ao divã compõe o ambiente terapêutico. Então ele(a) entra, deságua sua alma ali e nós propiciamos abertura para isto, sai um pouco mais perto de se encontrar ou não, dependendo de suas escolhas durante a elaboração.

Aos nossos olhos são diversos pacientes e um rio de distintas almas ali no espaço criado. Algumas já mergulhando em si, outras nadando contra a correnteza que as prende ao pensamento coletivo e também as que lutam para continuar junto a corrente impessoal.

É ali, neste oceano de emoções e razões que se desenrola a terapia. E nós, os auxiliadores do processo, somos como Quíron da mitologia grega, aquele que possui o dom da cura e está ferido. A cada paciente a possibilidade da cura pelo encontro com o “Si Mesmo” é a total certeza da ferida e da cura em nós.

A dor de ser terapeuta é acolher o outro totalmente e negar a nós mesmos, renunciando a credos, superstições, posições ideológicas, políticas e sociais. Ser o suporte para a dor, a raiva, o incômodo, o choro, a culpa, a depressão… A dor de ser terapeuta se dá na tecitura e destecitura da elaboração, no ir e vir da mesma, no quase tocar o ponto e retornar ao que estávamos. Se dá ao vermos questões na análise semelhantes as nossas e percebermos que também estamos em terapia.

Agora, já as alegrias deste processo estão em cada insight sobre a situação-problema e o paciente, cada vislumbre intuitivo que temos e que o paciente tem no processo, em cada sensação corpórea em que a emoção  é percebida, em cada possibilidade de expressá-la. As felicidades do caminho terapêutico são notadas a cada semana quando em meio a dor, o paciente não para de comparecer as sessões, quando ele(a) diz que sonhou com determinada questão intrigante, quando ouve uma música e mergulha em si. Mas, a maior de todas as alegrias na terapia é ver a conversão total que o paciente vive e que vivemos junto a ele (a), quando trilha/trilhamos o caminho de individuação, o caminho de sermos nós mesmos com todas estas dores e todas as alegrias!

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Sobre o autor

Laís Sales

"Apenas uma gota no oceano da vida"

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