domingo, 22 de janeiro de 2017

Sobre “A Tal Liberdade”

Por: Guilherme Lima

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A ideia de liberdade, bem como de livre-arbítrio, parece estar assentada e bem esclarecida no pensamento moderno. Desde o Século XVIII, os ideais iluministas propagaram e legitimaram as noções da importância da liberdade para as ações humanas. Inúmeros pensadores e intelectuais do período, como Locke e Voltaire, exaltaram a importância dessa tal liberdade para que a existência da humanidade se expandisse em todo o seu potencial, e assim o livre pensar e o livre agir se tornaram cláusulas pétreas para a formação dos ideais democráticos e culturais. Hoje ela é pré-condição filosófica, generalizando o conceito a toda dita civilização, relacionando diretamente o livre-arbítrio com a liberdade. No entanto, é preciso fazer uma pergunta: até que ponto somos realmente livres?

O Livre arbítrio parte do princípio em que teríamos a possibilidade de fazer qualquer escolha diante do que nos é apresentado. A velha ideia oriunda dos pensamentos religiosos onde a humanidade seria totalmente livre para trilhar seu próprio destino, isentando as divindades de qualquer erro ou ato falho cometido pelo ser humano em vida. Porém esta noção é por deveras incongruente e se limita muito a um ideal purista e intangível. Este conceito, já muito bem consolidado dentro do pensamento geral, não corresponde com as limitações da própria noção de ser livre e do que condiciona uma pessoa a se considerar livre enquanto age e pensa.

Muitos fatores impõem barreiras a uma liberdade plena, por assim dizer. Somos condicionados desde nosso nascimento por diversos fatores relacionados diretamente ao nosso meio. A materialidade mundana nos impele posteriormente a limitar em sua prática os nossos atos com finalidade de existir como um todo, nos levando a pensar de tal maneira, ter determinada atitude ou mesmo um estilo de vida adequado a uma situação. Estamos, a bem da verdade, atrelados aos conceitos, ideias e pensamentos vigentes do período histórico em que vivemos. Temos a assim a Liberdade de nosso tempo.

Somos livres até o ponto em que a ideia de liberdade é percebida pelo contexto da sociedade. Ser livre está atrelado ao significado da palavra liberdade. Contudo a linguagem e o simbolismo que damos a palavra vai ser interpretativa, quase inaplicável se levarmos a mesma ao pé da letra. No dicionário a palavra liberdade significa – Nível de independência absoluto e legal de um indivíduo, de uma cultura, povo ou nação, sendo nomeado como modelo (padrão ideal) ”Mas até que ponto um indivíduo é independente para agir e pensar por si próprio?

Nossa conduta vai ser regulada e delimitada por uma série de regras, ordenamentos, leis, códigos éticos e morais, estabelecidos antes mesmo de nosso nascimento. Se levarmos em conta o conceito acima de liberdade, nossa independência deve ser encarada dentro da permissividade em que a sociedade dá as ações de seus indivíduos. Temos um limite em nossa liberdade, de acordo com aquilo preestabelecido por um certo pacto acordado entre as partes de um grande coletivo num tempo e espaço. Somos livres, mas dentro de nosso quadrado.

Atualmente, somos levados e induzidos por uma enorme aparelhagem cultural, econômica, politica e social que filtram as informações e conhecimento que podemos desenvolver. Meios de comunicação, instituições, empresas e governos, têm enormes disponibilidades de exercer não um controle massacrante ou um jugo de uma relação de senhor e servo clássica, mas possuem dispositivos de influenciar o comportamento de uma enorme massa populacional através de determinados discursos. A publicidade e a intelectualidade são exemplos de ferramentas utilizadas por estas para manter intacto o padrão delimitador de nosso livre-arbítrio, usando argumentos para condenar determinada ação, pensamento e conduta.

É verdadeiro que nossos atos e pensamentos não estão exclusivamente limitados pelo espectro social somente. Porém, eles irão incondicionalmente nos levar a ter certos preceitos, condições, interpretações e valores aos quais o nosso mundo considera como modelo e padrão ideal, como está no dicionário. Estamos libertados para sermos o que quisermos, para alcançar nossos objetivos, desde que estes sejam o ideal estabelecido por nossa cultura. São as rupturas com esse modelo padrão e alteridade, de ser algo completamente diferente do que fora estabelecido dentro de nosso quadrado social, é que se encontra uma verdadeira liberdade de agir, assim fazendo com que este ato de liberdade se transforme e passe a ser encarado com naturalidade pela sociedade.

Passar por cima do modelo padrão de liberdade se tornou ao longo da História um grande processo revolucionário. Toda vez em que se é desafiado o modelo padrão, é que atingimos a liberdade plena, onde realmente o livre-arbítrio passa a acontecer. A liberdade só é atingida no momento em que atuamos num movimento inovador e revolucionário, pois são nestas ocasiões que agimos de modo inédito. A liberdade está na originalidade.

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Guilherme Lima

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