sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

#SomosTodosEnrolados

Por: Laís Sales

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A história da Rapunzel de Enrolados, muitos de nós já conhecemos, mas em que medida nos assemelhamos a este conto?

Uma menina ainda pequena é raptada de seus pais e impedida de viver a vida que “naturalmente” seria a dela: crescer em um palácio, ser amada por todos ao seu redor, conviver e conhecer muitas pessoas, ser prometida a um príncipe e mais tarde se tornar Rainha. Mas, algo a impediria, pelo menos momentaneamente. A flor que devolveu a vida à Rainha quando estava grávida da princesa era a mesma que a Gothel, a bruxa má usava para manter sua juventude. A saída para a megera foi roubar Rapunzel, pois, os poderes da flor que nascera de uma gota de luz solar agora estavam nos cabelos da princesinha. Assim, Rapunzel é levada e cresce longe de tudo (objetivamente falando) que a tornaria, ela mesma. Mas, talvez a vida tenha seus próprios caminhos de nos fazer crescer.

A bruxa queria o poder da flor, a família de Rapunzel a queria de volta e ela a princípio só queria ver as luzes que todos os anos subiam ao céu no seu aniversário. E é aí que aparece Flynn Rider, que ninguém mais é do que José, um menino órfão que queria compensar sua vida na pobreza com muito dinheiro em uma ilha e para isto, roubou a coroa da princesa perdida e veja só, foi parar justamente frente a ela na torre que aprisionava Rapunzel.

Mas, sair da torre significava mais do que “tocar a grama, a terra.. sentir o sopro da brisa, ser completamente livre”, sair de lá, é enfrentar a mãe que impede a busca pela realização do que Rapunzel sonhou. Ela canta “minha vida começa aqui” e tem início a conscientização do conflito interno que ela vive, deseja viver fora da torre, mas não queria desapontar sua “mãe” (Gothel). “Mas, deixa eu aliviar sua consciência, crescer tem essa etapa. Um pouco de rebeldia, um pouco de aventura, isso é bom, é até saudável” diz Flynn Rider.

E, não é que em parte vemos aqui o quanto somos todos enrolados? Quantas vezes entramos em conflitos internos e até mesmo, os externalizamos quando percebemos que o que somos, o que queremos diverge daquilo que nosso cônjuge, pai, mãe, sociedade impõe a nós?! O problema é que os outros estão correndo atrás do poder da flor que está em nossos cabelos, eles projetam em nós, algo que é para o bem ou desejo deles, e muitas vezes o fazem pensando ser o melhor para nós. Mas, é Rapunzel quem vive trancada na torre e limita sua vida ao que querem que ela faça. Até que a vida nos convida de novo a recordar quem é o(a) protagonista da história, surge a oportunidade de sair da torre. E, é claro na saída existirão obstáculos, desafios nunca enfrentados, pessoas super diferentes de você, de Rapunzel. Mas, “lá no fundo  um sonho” eles tem sim. Como a bruxa, de ser jovem, como os pais da princesa de restituir a sua família e como os aparentemente bárbaros que estavam no bar o que nós precisamos compreender é que o outro não é responsável por nos realizar e é nisto que nos enrolamos. Nos projetando neles e eles em nós. E, o que pode nos salvar? Identificar as projeções que fazemos, o que é seu que tem lançado em outro? O que não é seu que tem sido projetado em você? E trazer à tona tudo isto.

Talvez, fiquemos como Rapunzel, a princípio perdida e sem saber que voz ouvir, mas existe um caminho para cada um de nós e os sonhos que temos, os objetivos de vida fazem-nos perceber isto. E quando notamos estas coisas em coletivo, nossa vida começa, nasce a consciência de que somos responsáveis por nosso projeto existencial, mas, isto não impede de andar lado a lado com aqueles que amamos, muito pelo contrário, nos torna mais aptos a companhia um dos outros. E logo vamos percebendo que as luzes lá do alto são pra nós e para serem admiradas juntos.

 

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Sobre o autor

Laís Sales

"Apenas uma gota no oceano da vida"

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