quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Quando a morte bate à porta

Por: Rafael Magalhães

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“Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?”  – Confúcio.

A respeito desse tema, tão pouco comentado, joguemos uma luz!

Na sociedade atual, cada vez mais o perfil jovem é ressaltado, sendo prioridade aquele ser ativo, que produz e que se movimenta pelo mundo. Aquele mais velho, já renegado pelo sistema capitalista, que não produz mais, é visto como um fardo a ser carregado, e frequentemente é deixado de lado pela sociedade. Seja por falta de conhecimento, preconceito ou tabu, a velhice é vista como um momento anormal da vida, sendo pouco retratada e discutida, acompanhada por uma visão cada vez mais presente da morte, outro tema considerado proibido pela sociedade.

A morte é vista como algo sobrenatural, sendo colocada como um fenômeno gerador de grande dor e sofrimento, o qual os vivos não sabem abordar perante aquele que estão em luto. Sem saber como reagir ou o que se falar, a morte é renegada, pouco discutida e levada a um patamar de proibição. A sociedade exige sorrisos, alegria, movimentação e energia, exatamente o oposto proporcionado a uma cultura predominantemente enraizada pelo cristianismo, onde a morte é vista como motivo de tristeza, choro e depressão.

Aquele que vive o luto se vê isolado do mundo, com exigências de “ficar bem”, de voltar a sorrir e a esquecer do acontecido. Por não se aprender sobre o processo de luto, familiares e amigos reivindicam uma recuperação rápida daquele que sofre, sugerindo a medicalização, e buscando ao máximo evitar a vivência da tristeza.

De acordo com João Batista Alves de Oliveira (2008), ao citar o psiquiatra Parkes (1988,p. 44):

“Luto pode ser definido como um conjunto de reações diante de uma perda, portanto algo a não ser desprezado, e sim, devidamente valorizado e acompanhado, como parte da saúde emocional. O luto é afinal o acontecimento vital mais grave que a maior parte de nós pode experienciar.”

Ao juntar-se os 2 grupos (velhice e morte), encontra-se uma população em constante contato com ideias de finitude, que são representadas de maneiras biológicas (envelhecimento do corpo, doenças, impossibilidades físicas) e também psicológicas (a morte mostra-se mais possível e real do que antes). Como não se sabe lidar com nenhuma dessas duas premissas, ambas encontram-se subjugadas e pouco exploradas.

Ao vivenciar um luto, o velho passa por diversas emoções, por se ver cada vez mais próximo de um fim, acarretando segundo Oliveira que:

“No idoso em processo de luto podem ocorrer alguns distúrbios, como os do sono e da alimentação, ou ainda manifestações somáticas, sendo comum falta de ar, aperto no peito, falta de energia, insônia, passividade, alucinações e ansiedade. […] O enlutado deve ser livre para expressar seus sentimentos de raiva e angústia, que comumente ocorrerão para com aqueles que o ajudam, pois são os que mais estarão reafirmando a perda.”

Assim sendo, evidencia-se a necessidade de abordar a morte de maneira cada vez mais real, desmistificando-se o tabu existente, oferecendo assim, não só ao idoso, mas a toda população uma forma mais amena para se lidar com o luto.

  • Fonte: OLIVEIRA, João Batista Alves de; LOPES, Ruth Gelehrter da Costa. O processo de luto no idoso pela morte de cônjuge e filho. Revista Psicologia em Estudo. Maringá, PR, v. 13, n. 2, p. 217- 221, abr./ jun. 2008
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Sobre o autor

Rafael Magalhães

Jovem, estudante de Psicologia, possível Existencialista, estudante da Morte, em crise com a vida, com sonhos. Fotógrafo de hobby e escritor de poesia no tempo livre.

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