quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Caos no formigueiro

Por: Danilo Brandão

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Em tempos de crise, a melhor solução é calar-se. O autoritarismo não pede licença em épocas de descontrole social. Aqui, no Brasil, os tempos são esses. Infelizmente. Beira o caos social. Ao acordarmos de sonhos intranquilos nos deparamos com uma realidade pior do que a de Gregor Samsa. Estamos nos metamorfoseando acordados! O caos está na política, na cultura, no esporte. Escolha seu lado! Os autoritários de plantão estão mandando. Caso o contrário, tenho péssimas notícias para você, caro leitor, eles te tiram apenas duas conclusões: Você é omisso a toda roubalheira do governo! Ou, então, você quer dizer que só o partido que está no poder rouba? Não. Não. Não. Autoritarismo não. Conhecemos a história, mas teimamos em repeti-la. Sabemos que, em momentos de tensão social, os extremos atacam. O bom senso se cala, cai em um abismo que fica difícil recuperá-lo depois.

Nossa sociedade é um formigueiro. Somos formigas! Vivemos sempre na mesma direção em busca de um objetivo. Cada um com sua folha nas costas. Vamos seguindo nossas trilhas. Buscamos ao máximo não atrapalhar um ao outro. Vivemos! Se nada acontecer, fica tudo bem, sério. Talvez uma crise ali. Um desvio de caminho acolá. Mas, um belo dia alguém coloca o dedo na nossa trilha. (Explosão). Ficamos desesperados. Trombamo-nos tentando nos defender da crise. Atacamo-nos. Cada um por si. Salve-se quem puder. Esse é o caos social. Caos do formigueiro. Caos!

Talvez o que mais me incomode nesses momentos de polarização é a santificação dos extremos. De preferência o seu extremo. As pessoas escolhem um lado e o defendem como se não houvesse, no protagonismo dos episódios políticos, por exemplo, pessoas também. Sim! Pasmem! (Explosão dramática). Pessoas como eu e você, querido fanático. Que erram, acertam, têm desejos, ficam aflitas, felizes, morrem e vivem (Não necessariamente nessa ordem). Pessoas! O fascismo surge daí. A beatização de seres humanos (ou formigas, estou um pouco perdido na metáfora) de ideologias, de crenças. Misture tudo isso. (Explosão clímax) Temos os mais assustadores regimes autoritários da nossa história.

O Brasil não é apenas verde e amarelo meu caro amigo esfirra. Nem é todo pintado de vermelho meu caro companheiro Marxzinho. Somos pluralidade. O mundo é. Há de ser. A junção dos dois é mais bonita. Na minha humilde opinião, sempre será. Experimentem! (Explosão melancólica) Pronto? Temos o que se costuma chamar por ai, pelo mundo a fora de democracia. Essa palavra que está tão na moda. Sim, ela é para todos. Costuma funcionar. Não encontramos nada melhor ainda.

É contra o governo? Perfeito! Precisamos de vocês. A sociedade precisa. Não disfarce quando o governo errar. Lute! Grite! Berre! Force ser ouvido. Só não minta. Mentir costuma ser fora dos padrões aceitáveis para nosso formigueiro. É a favor do governo? Perfeito também. Fiscalize! Propague os acertos! Faça escárnio da oposição! Seja governista! Com orgulho, ninguém te obrigará a ser outra coisa. Só não oculte as irregularidades do seu governo. Por favor. É a favor de nossas eleições? Argumente. Quer deixar tudo como está? Eis um messias que prevê um golpe midiático? Grite! Nos avise! (Sério, avise mesmo). Seja a democracia em formiga!

Essa é aquela hora do texto que o leitor pensa: E quem é esse autor que aponta o dedo para nossa cara? A formiga rainha da nossa colônia? Coloca-se a cima de nós. Aponta nossos defeitos. Compara-nos com formigas. Quem você pensa que é? Seu… (Preencha esse espaço com o apelido do lado que você me colocou: Comuni… Coxin…) Ora, não sou ninguém. Só estou refletindo. Talvez esteja errado. Provável que sim. Mas, (explosão final), isso é democracia. É o direito de estar errado. Mas, mesmo assim estar. Ser. Viver. Acho que sou o Gregor Samsa que nunca acorda. Tudo de longe, do meu quarto. Prefiro assim.

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