domingo, 19 de fevereiro de 2017

O problema da Educação é que ela destrói Sonhos e constrói Servos

Por: Erick Morais

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Utilizando a lógica aristotélica, se o Brasil é o país do futuro, e as crianças são o futuro da nação, logo, o Brasil é o país das crianças. Sendo assim, o Brasil como bom pai que é, deve prover às suas crianças uma boa educação, a fim de que estas sejam, de fato, o futuro da nação. Entretanto, já é notório que a educação brasileira é extremamente deficitária, e, assim, a lógica de Aristóteles parece não fazer sentido nesse caso.

Muitos discutem o problema da educação no país. Nos índices relacionados à educação sempre ocupamos lugares distantes do pódio e por aí vai. Mas, o problema educacional no país é muito mais profundo do que se propaga e está relacionado ao modelo educacional empregado.

Na sociedade capitalista industrial há uma exaltação, quase divina, à tecnificação, isto é, o único conhecimento visto como necessário é o conhecimento técnico. Não há, nessa ótica, a possibilidade de dominar conhecimentos que não possibilitem uma utilidade prática aparente. Já dizia Caio Fernando, que o Brasil precisa de médicos, dentistas, engenheiros e advogados e não de escritores.

Desse modo, a educação prioriza, exclusivamente, a aprendizagem técnica, voltada para as provas e futuramente para o mercado de trabalho. Esse modelo é desenvolvido com ortodoxia, desde o jardim da infância até o ensino superior. Vamos sendo, portanto, moldados ao longo da vida escolar. Não existe espaço para que possamos desenvolver as nossas potencialidades, sobretudo, artísticas. Devemos nos formar com louvor em um sistema voltado à demanda do mercado.

Acontece, aqui, o problema estrutural da educação brasileira, uma vez que, logo cedo, a criança se vê interrompida do seu mundo criativo e imaginativo para se integrar ao sistema. Ou seja, é rompido um dos elos mais importantes do desenvolvimento humano, pois, na medida em que não há fé nas potencialidades da criança, esta deixa de ser educada e passa a ser manipulada.

Os sonhos que permeiam a mente fértil e criativa da criança são desencorajados para que ela embarque em um ensino padrão e fechado, que visa apenas à sua colocação no mercado. Deixa-se de fazer a função primordial da educação, que é fazer brotar o que existe potencialmente no indivíduo e, logo, usando mais uma vez a lógica, deixa-se de educar para manipular.

Os sonhos são desde cedo destruídos e nos seus lugares são colocados coisas que os adultos julgam como importantes. Como é tola a sabedoria dos adultos, exclamaria Exupéry. A ausência de fé só pode levar ao caminho da manipulação e submissão ao sistema.  Não me espanta que vivamos na era da servidão voluntária, afinal, quando se produz robôs e não seres humanos, inexiste a possibilidade do pensamento próprio e da subjetividade, e sem isso, não há vida.

A verdadeira educação é aquela que auxilia a criança na realização das suas potencialidades. É aquela que incentiva o indivíduo a produzir o seu próprio conhecimento, para que se sinta vivo e perceba que a sua existência faz sentido. Não há problema algum em ser médico, engenheiro ou advogado. O problema é quando o indivíduo passa a vida dedicando-se ao estudo de matérias que cairão no vestibular e esquece-se de dedicar-se à filosofia, à arte, à poesia, uma vez que sem estas se torna impossível produzir um conhecimento crítico e da vida, pois não vivemos isolados, mas antes, em sociedade.

Além disso, somos movidos por paixões, possuímos idiossincrasias, características próprias que nos fazem diferentes dos outros. Não há como ter uma educação de qualidade fazendo de pessoas, massas de modelar. Enquanto não houver uma mudança paradigmática na educação (e a reforma no ensino médio não é essa mudança, o que será destacado em outro texto), continuaremos produzindo excelentes profissionais, cheios de técnica e títulos. Entretanto, ainda seremos pobres de vida, uma vez que as potencialidades da infância, sem fé, morrem e junto com elas, os homens.

Para que a educação melhore no país, precisamos de investimentos sim, mas isso não garantirá a melhora se o principal não for modificado, a saber, essa forma destrutiva como a educação é praticada. Enquanto isso não acontece, prefiro ficar com as palavras de Einstein, que como todo gênio, esteve sempre pensado fora desses padrões desumanizadores que alguns insistem em chamar de educação.

“Eu prefiro uma criança rebelde, crítica, criativa e autônoma, em lugares dessas pobres criaturas domesticadas.”

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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