quarta-feira, 1 de março de 2017

Precisamos falar sobre nós

Por: Lucas S. Ferreira

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Estamos em época da maior festa aberta do mundo. Brasil o país da alegria.

O povo mais feliz da Terra.

E ao mesmo tempo a Organização Mundial da Saúde elege o Brasil como o país mais depressivo da América Latina.

5,8% da população sofre de depressão.

Temos algo de muito errado aí então.

Uma incoerência gritante.

Alegria exorbitante e tristeza vencedora.

Precisamos falar sobre isso, na TV, na internet, nas nossas escolas, nos nossos trabalhos, nas nossas cozinhas, nas nossas rodas de amigos.

Como pode o povo mais feliz ser eleito o povo mais triste?

E estamos falando de depressão, situação que não é uma simples tristeza. Estamos falando de algo que paralisa, que desestabiliza.

Uma das explicações mais plausíveis, pode ser essa:

Sustentamos uma falsa alegria.

Uma felicidade “fake”, que só serve para postarmos em nossas redes sociais, porque quando nos vemos sozinhos com nossos travesseiros nos encharcamos de lágrimas silenciosas.

O que há de errado conosco?

Estamos sofrendo e não admitimos isso, pois culturalmente depressão é doença de “fresco”. Então guardamos interiormente, inconsciente, nossas dores pois o “outro” não está preparado e não tem interesse em me ouvir. Preciso mostrar-me equilibrado, pois senão serei fraco aos olhos reais e virtuais.

E quem vai querer ter perto alguém assim, doente?

Pode-se pensar que é revigorante estar sempre bem, estar em festas de segunda a segunda, postar cada movimento que se faz no Facebook, para que todos possam ver que eu estou bem, mesmo não estando. Focalizar minhas selfs o tempo todo, pois eu preciso que o meu espelho me ame e que minhas curtidas me idolatrem. Gastar todo o meu dinheiro, em roupas, em baladas, em status exibicionista, isso pode ser bom… e é maravilhoso!

Por um tempo…

Qual é o alicerce que estamos construindo para nossas vidas?

Que tipo de pessoas nós somos realmente.

A minha volta existe somente sorrisos, porém interiormente eu sei que todos estão devastados.

Não é errado investir nos nossos prazeres, não é errado pular os quatro dias de carnaval, não é errado se divertir.

Mas qual é a nossa motivação para essas coisas?

O que me leva a ser feliz? Minha vida como um todo? Ou datas esporádicas de feriados ou uma vida abastada financeiramente.

O que me faz realmente sorrir?

Infelizmente a resposta é que a maioria não sabe o que as faz feliz. Não sabem observar o que existe por fora e não tem a mínima ideia de quem são por dentro.

A mudança é individual. Transforma-se sozinho, na auto consciência de aceitar que algo está errado consigo mesmo. Na coragem e na ousadia de pedir ajuda e fazer com que tudo seja diferente.

Precisamos falar que quem precisa de ajuda pode encontrar um meio para que as coisas se modifiquem para melhor.

Precisamos de empatia. Precisamos de misericórdia. Precisamos tirar nossos olhos de nossas telas luminosas e enxergar quem tem um grito contido, pois não vê lugar para se abrir.

Queremos um porto seguro, mas não queremos ser o ombro amigo de ninguém que realmente sofre.

Precisamos tratar do que precisa ser tratado e parar de ignorar que algo está errado. Precisamos para de deixar de lado aquilo que nos puxa pra baixo. É necessário enfrentar nossas fraquezas e ver o que pode ser feito.

Vivemos num pais que ri alto pelas ruas, mas que chora silencioso entre quatro paredes.

Ainda é tempo. Ainda são 5,8%…

Precisamos falar sobre nós.

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Sobre o autor

Lucas S. Ferreira

Mineiro, Psicólogo por formação, escritor por insistência, desenhista por hobbie e pianista por não ter mais o que fazer!

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