segunda-feira, 6 de março de 2017

O Brasil Político… digo, Futebolístico!

Por: João Neto Pitta

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Está prestes a começar o último jogo da final do campeonato ”Crise Política”. O Campo está pegando fogo! Literalmente, há pouco tempo havia dois moleques tentando atear fogo no estádio, mas foram presos.  Depois de muitos jogos e conflitos dentro e fora do campo, hoje o jogo é decisivo, afinal, é um clássico político, digo, ”Futebolístico”:  Esquerda acrítica futebol clube x Time de Regatas Conservadorismo de Combate.

Já é possível ver os mascotes entrando no campo, para o delírio da torcida! – De um lado o Homem Mortadela envolto por dançarinas ”Lgbts”, e, do outro, a mulher coxinha acompanhadas por torcedores representantes do Orgulho de ser Hétero.  Só mais 15 minutos e a bola começará a rolar, enquanto isso, a torcida do CC (conservadorismo de combate) aquece as panelas – um torcedor corpulento, deste mesmo lado, vociferou na mesma hora: ”DIGA NÃO A DITADURA COMUNISTA!!” e  um senhor encurvado, com a voz meia rouca, questionou : ”Mas o que isso tem a ver com o jogo, meu querido?”. O homem, então, respondeu : ”Oxente, e você não sabe? Se os esquerdas ganharem, eles vão tomar o Brasil e fazer uma ditadura. Isso mesmo, vão ressuscitar Fidel, Che, a União Soviética e o Muro de Berlim”,  falava com os olhos esbugalhadas, como quem dizia uma obviedade irrefutável. E o velho balançava a cabeça em tom negativo : ”Esquerdistas nojentos”.

O árbitro Sérgio Loiro, que fora escolhido pelo STF, entrava no campo e começava a se exercitar, a cada passo que ele dava, as vaias o acompanhavam, e dos dois lados! Para o CC, o árbitro era comunista porque usava um apito vermelho, e para os esquerdistas, ele era torcedor do CC, pelo motivo de ter apitado um pênalti decisivo para o time de regatas em outro jogo que havia acontecido há muito tempo. E alguns outros o intitulavam como ” isentão”, mas não como se fosse coisa boa, pelo contrário, colocavam-na como a mais vil atitude possível.

A alguns quilômetros dali, estava Lula – o maior craque da torcida dos esquerdas e odiado veementemente pelos torcedores de qualquer outro time – o certo é que ninguém o avaliava com equilíbrio. O jogador estava entre o céu e o inferno. Entre deus e o próprio diabo. No meio do caminho, Lula, parando o seu carro, perguntou a uma senhora desconhecida : ”Minha querida, desculpe o incômodo, é que estou atrasado para o jogo e preciso colocar o meu carro para lavar, a senhora, por acaso, conhece algum lugar perto do estádio? ‘  ”Conheço sim”, dizia a velhinha, ”O lugar chama-se Lava Jato , eles têm os melhores lavadores de carro da cidade!”. Lula, com um olhar meio tingido e inquieto,  retorquiu: ”Deixa pra lá, minha senhora, muito obrigado!”.

Tudo estava quase pronto. E quando o jogo já ia começar, uma briga se instaura no campo, dois torcedores estavam se esbofetando e trocando ultrajes, um deles dizia ”Seu fascista, Machista, homofóbico” e o outro retrucava: ”Abortista, maconheiro, satanista”. Logo em seguida, o ódio se espalhou por todo o estádio! Não, não, muito além disso! Ele atravessou as telinhas e aflorou na criança que assistia com seus irmãos : ”Seus esquerdistas” e na senhora que esbofetada o velhinho : ”Fascista!”. Tudo parecia desmoronar em meio ao clássico sangrento. E os narradores selecionados para o jogo se entreolhavam, um deles perguntava : ”Quem vai ganhar?”  e o comentarista, levantando os braços em tom de dúvida, respondeu com uma pergunta : ”o jogo ou a briga?”. ” Quem quer que ganhe, o Brasil já perdeu!”, Disse o câmera , após desligar a luz de seu equipamento.

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Sobre o autor

João Neto Pitta

Eu, você, ele... Tanto faz! Vamos todos morrer um dia.

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