segunda-feira, 20 de março de 2017

Há algo de pobre no Reino do Brasil

Por: Erick Morais

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Já dizia em outro texto que o Brasil se tornou um seriado de terror e, infelizmente, pareço ter razão, uma vez que estoura mais um esquema de corrupção em solo tupiniquim. No entanto, mais do que culpabilizar exclusivamente algumas pessoas por mais esse problema, prefiro caminhar pelo terreno crítico, buscando investigar o porquê disso acontecer, como também, dos demais problemas que afligem o povo brasileiro.

O esquema de corrupção denominado de “carne fraca” só torna ainda mais evidente a relação promíscua e imoral existente entre o poder econômico das grandes empresas e a classe política. E isso não se deve apenas ao fato de indivíduos ligados ao poder público receberem propina para que grandes marcas consigam lucrar à custa da saúde e da dignidade das pessoas; mas antes, ao fato da maior parte dos políticos terem as suas campanhas financiadas por empresas, como as envolvidas no esquema.

Ou seja, é muita ingenuidade acreditar que esse tipo de financiamento empresarial é feito para que a classe política represente os direitos da população. Ele é exercido para manter um sistema perverso que saqueia cotidianamente os cofres públicos, a fim de atender os interesses pessoais dos partidos e da ditadura banqueiro-empresarial, enquanto o povo pena.

Aliás, o que é o povo para esse sistema que comanda o país? Como o atual governo nos enxerga? Exponho esses questionamentos, porque diante de um caos tão grande, que coloca em xeque a democracia, a meu ver, a reforma política deveria ser a pauta principal. Entretanto, além de não ser, pautas também importantes, como a reforma no ensino médio e da previdência são impostas à população sem que haja um verdadeiro debate público, em que a população possa ser ouvida, já que são mudanças que transforarão de sobremaneira a vida deles, e não a dos políticos.

Todavia, como disse, acreditar que essas transformações acontecerão a partir de um sistema opressor, que mistura poder econômico financiando os esquemas de um lado, e poder político normatizando ações benéficas para aqueles de outro, é muita ingenuidade. Mas, o que de fato esperar de um lugar em que um ministro da suprema corte diz que caixa 2, nomeadamente maléfico para as instituições democráticas, não é crime?

Diante disso, o mínimo que poderíamos esperar, era de que os brasileiros estivessem comungados na direção de reais mudanças na estrutura política do país, mas o que observo, contraditoriamente, é o aumento de uma polarização que destrói qualquer tipo de canal comunicativo e, por conseguinte, de lastro democrático. Dessa maneira, há a perpetuação do sistema perverso supracitado, já que nós, de modo geral, procuramos defender o lado que mais nos convêm (bem como fazem os políticos) e, assim, ao tentarmos nos “salvar” individualmente, continuamos todos sujos de lama.

Como disse George Orwell: “A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. Enquanto permanecermos fragmentados como povo, continuaremos a contribuir para a unidade da ditadura banqueiro-empresarial que comanda o país por meio do aparato normativo da classe política e, consequentemente, seremos dissipadores de mentiras transvertidas de verdades pelos lados que insistimos em defender. Como a consciência e a autoconsciência são raras entre os nossos companheiros de espécie, encerro esta reflexão me sentindo como que um personagem fictício, em que ao olhar para o interior de seu país, não pode chegar a outra conclusão que não seja a de que há algo de pobre no reino do Brasil. Literalmente.

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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