sábado, 25 de março de 2017

O Sorriso da Fera e a Simpatia do Caos

Por: João Neto Pitta

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Esse não é um texto sobre o filme (se você clicou no link apenas por isso), esse é um texto que trabalha com algumas coisas que o filme suscita e , de certa maneira, tenta ir um pouco além delas.

Não há dúvida alguma de que o sorriso é a expressão mais doce do ser humano. Sorrimos quando lembramos de uma piada; quando estamos em um ônibus e passa alguém aleatoriamente do nosso lado com uma roupa dos anos 80; também sorrimos, sei lá, quando vemos uma nuvem em formato erótico (pelo menos eu acho engraçado); a gente ri quando sabe que é amado e isso congestiona a nossa cota de sorrisos diários. Às vezes o riso até vem de forma autoritária e a nossa boca abre sem o prévio controle fazendo com que alguém sentado do nosso lado no ônibus pergunte ”Você tá rindo de quê, garoto?” , e a resposta vem ainda com o sorriso na boca ”Não é nada”.

Não há nada tão belo quanto um sorriso sincero – QUEM DUVIDA DISSO QUE VÁ PARA AS PROFUNDEZAS DO INFERNO! Você riu dessa? Provavelmente não.  Nunca fui comediante, mas ainda carrego as cicatrizes das vezes em que tentei fazer meu primo sorrir. Toda criança gosta de ver a gente em um papel de bobo caindo e beijando o chão, fazendo o inesperado em meio à tão corriqueira vida, em que tudo é devidamente calculado. Há uma certa simpatia no caos, na desordem, na quebra do cotidiano, na queda;  quem percebe isso se regozija ainda mais com as pequenas coisas.

Na gigantesca tela de cinema, eu vi a ”Fera” sorrir e aquilo me encantou de uma maneira que não sei como descrever, as palavras me faltam, essas traiçoeiras! Mas, naquele momento, era como se eu estivesse vendo a personificação do caos materializando um sorriso, uma noite que de repente sucumbe à luz do sol.  E quando pude entender o porquê de um ser tão desajeitado sorrir, sorri também. É uma sensação massa. O que alimentaria o sorriso de um ser assim? Aquela palavrinha que faz o coração bater mais forte quando a gente fala: amor. O amor abre um sorriso até no maior trevoso da televisão, é um remédio forte, um poder incalculável, uma magia que ninguém resiste. E ,do meu lado,  com o óculos 3D que deixa todo mundo ainda mais charmoso, estava o meu motivo de sorrir.

Se engana quem pensa que o amor não é caos. O amor é o caos em essência. O amor comporta todas as soluções e desencontros, os paradoxos inconciliáveis. O amor comporta todas as guerras e as alimenta, algumas vezes até por um motivo extremamente fiel. O amor está presente em todos os filmes americanos, japoneses, ingleses,coreanos e marcianos (se eles existirem); nas pinturas rupestres dois pontinhos juntos – a gente não sabe quem desenhou, mas a gente sabe que ali está o amor; algumas vezes de forma disfarçadas, outra de forma evidente. O amor é tudo isso e muito mais. É a força que acende uma fogueira e aquece aquele ou aquela do seu lado em uma floresta qualquer em uma noite qualquer, é o livro de romance que a gente tenta ler no recreio da faculdade e nunca dá tempo, porém a gente sempre tenta, porque, se é amor, vale tentar.

Alguém me perdoe, falei de ”caos”, falei de ”sorriso” e agora falo de ”amor”. O texto ficou um drama desconexo, eu sei, eu sei. Mas amor, caos e sorriso estão tão interligados que eu acho que deve existir um cordão umbilical invisível que os liga, de maneira que um deles sempre termina suscitando o outro. A gente esbarra em alguém, sorrimos juntamente com esse alguém, conversamos, nos conhecemos e um tempo depois estamos reclamando com o nosso filho que disse que estava doente pra faltar a aula. Entendeu? Não dá pra separar ”caos, sorriso e amor”. Einstein teria inveja dessa teoria, ou talvez ele sorriria com ela, mas só a afirmaria ainda mais.

Os meu textos não têm roteiros – voltando ao pedido de desculpas – eles são produto de uma força invisível, uma bruxaria da qual eu não sei explicar. Uma física maluca com teorias improvisadas. Então, caro leitor, no fim das contas, não é culpa minha. Em textos, poemas, músicas expressamos sentimentos e ao mesmo tempo os escondemos, tiramos o caos de dentro e colocamos pra fora para quem sabe alguém sorrir. E o sorriso mais bonito é aquele que floresce na boca mais mecânica, que tem mais medo de se abrir e mostrar os dentes. O sorriso é a expressão da alma.

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Sobre o autor

João Neto Pitta

Eu, você, ele... Tanto faz! Vamos todos morrer um dia.

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