terça-feira, 4 de abril de 2017

Breve comentário acerca do momento que vive a humanidade

Por: Alberto Silva

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O mundo no qual vivemos certamente é um grande laboratório das boas e más experiências que nutrem diariamente as nossas emoções e a nossa humanidade, de si e para si. Desde o início dos tempos, o homem foi capaz de atacar para sobreviver e de promover guerras em prol da conquista de recursos naturais essenciais. Quando falamos, portanto, nas Cruzadas e nas guerras religiosas na Idade Média ou mesmo nos perniciosos conflitos do século XX que trataram de jogar a pá de cal nas ideologias do progresso infinito supostamente propiciado pelo livre comércio entre os países não falamos de perversidades inéditas ou movimentos históricos atípicos.

Aqui não se quer dizer que o ser humano é naturalmente permeável à promoção da destruição, mas tampouco se quer aproximar da ideia de um sujeito dotado de qualidades morais boas e inatas. Me parece que o dilema de filósofos, antropólogos e afins ao longo dos séculos tem sido a de sair dessa condição de “bola branca” na boca de sinuca no que diz respeito a uma definição mais ou menos aproximada da nossa natureza. A própria ideia da naturalização per se já é um problema muito grande, principalmente quando se faz dela uma espécie de ponto de partida. Os fenômenos constituintes da realidade estão mais para construções sociais e entendimentos históricos do que para dados objetivos.

Certamente, discutir o que é o homem e qual o nosso lugar na infinitude chamada universo em uma época em que cresce o sentimento de ódio a alguns grupos no Ocidente é tema absolutamente pertinente e urgente. A humanidade parece viver em uma época desordenada, na qual são estranhas as obviedades e normalizados os absurdos. Por um lado, o desgaste econômico sofrido pelo modelo vigente produz uma decadência das condições de vida nos países centrais como poucas vezes antes visto (talvez apenas no pós-Crash de 1929 como bem retrata John Steinbeck em As Vinhas da Ira) em tempos de “tranquilidade”. Por outro, respostas cretinas a esse quadro brotam por todos os lados.

É preciso entender que não é apenas a sociedade brasileira que se encontra num impasse. Caímos nesse erro quando observamos apenas o que ocorre debaixo dos nossos narizes, nas hostes da nossa cidade ou do nosso Estado Nação. Nessas horas é necessário um sentimento de despertencimento geográfico e um entendimento de que as fronteiras e divisões culturais em algum momento foram estabelecidas como ficção jurídica para o proveito e dominação de alguns. Quando olharmos assim, veremos que já estamos na mesma vala comum. Brasileiros, chineses, norte-americanos, franceses, marroquinos, indianos, etc., compartilhamos da condição da pessoalidade.

Já dissera Kant tempos atrás: “se chegou progressivamente, no que se refere à associação dos povos da Terra (…), a um tal nível que a violação do direito ocorrida num ponto da Terra é percebida em todos os outros pontos”. Sendo assim, a omissão não é apenas inadequada diante dos fatos concretos do nosso entorno. Ela é cruel também quando estendemos os nossos horizontes. Nesse momento em que continua a Guerra Civil na Síria, o genocídio de israelenses sobre palestinos, a existência de ditaduras que torturam e massacram os seus opositores, a pena de morte e o encarceramento massivo, bem como diversas formas de restrição e violação dos direitos dos apátridas, é imperativo categórico a formação de posições. No nosso lar, nos locais de trabalho, pelos políticos no parlamento, pelas organizações não governamentais, por setores mais conscientes da elite e pelos organismos internacionais multilaterais. Enfim, por toda a gente que se deu conta de que estamos em um daqueles períodos onde os rumos da humanidade estão decididamente sendo revisado.

*Esse texto reflete pura e exclusivamente uma inquietação pessoal do autor, logo se trata de uma interpretação muito específica do nosso papel enquanto seres humanos.

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Sobre o autor

Alberto Silva

Alberto Luís Araújo Silva Filho. Graduando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo de Estudos em Teoria Política Contemporânea (DOXA), vinculado ao Grupo de Pesquisas sobre Instituições e Políticas Públicas (CNPq). Além de amante da ciência política, é também apaixonado por sociologia, cinema e literatura. Colaborador semanal do Genialmente Louco.

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