sábado, 8 de abril de 2017

E se os autores brasileiros fossem um time de futebol?

Por: Genialmente Louco

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Sim, essa é uma ideia boba, mesmo clichê (Brasil e futebol), mas também é um exercício ficcional e especulativo – o que sempre dá margem para boas discussões e criações.

Então será isso, escolheremos alguns escritores para formar a equipe, descreveremos suas funções, qualidades e defeitos. Talvez haja reservas no meio do caminho. Para caber tudo, escolheremos um 3-5-2 agressivo com um futebol ágil e dinâmico.

Seja o que deus quiser.

O goleiro seria Graciliano Ramos. Sujeito duro, fechado, disciplinado. Um goleiro do tipo Emerson Leão que talvez não seja dos mais amados pelo torcedor, mas sempre está lá e marca presença quando necessário.

Na zaga, teremos Érico Veríssimo na esquerda e Jorge Amado na direita. Enquanto Érico faz o papel do zagueiro técnico e elegante à la Gamarra, Jorge Amado é o homem de força e pressão – e pavio curto. Apesar de ter uma boa técnica, será sempre lembrado pelas chegadas mais duras, principalmente frente à elegância do companheiro. Possíveis reservas seriam Leminski e Castro Alves: mesmo sendo instáveis e tendo problemas de saúde, introduzem uma certa malemolência necessária para a saída de bola.

Nosso líbero/volante seria obviamente Machado de Assis. Um jogador de visão, tática e técnica refinados, grande analisador do jogo e estrategista. Também seria o capitão da equipe e quem armaria boa parte das jogadas. Um jogador no estilo de Andreas Pirlo, um regista. Ocasionalmente, se tornará treinador.

Na ala direita, Cecília Meireles. Muitas vezes apontada como o elo fraco da equipe, poucos reconhecem sua técnica imaginativa. Uma jogadora capaz de atuar tanto em um esquema mais clássico quanto mais moderno e inventivo sem nenhum problema. Como reserva, teria Manuel Bandeira que, apesar de ter uma técnica invejável, é utilizado apenas em momentos em que a criatividade é necessária – um Denílson que faz de tudo pelo drible e às vezes esquece o objetivo: o gol.

Na esquerda, Carlos Drummond de Andrade. Flexível tanto quanto Cecília, é o jogador mais polivalente da equipe, podendo ocupar várias posições sem perda de qualidade. Enquanto o lado direito avança, ele faz a cobertura sem nenhum problema. Por melhor que seja, sempre tenta não ser o protagonista, sendo um homem de assistências, não de gols. Um bom cobrador de faltas e escanteios.

As meio-campistas são Clarice Lispector e Rachel de Queiroz. Enquanto a primeira é dona de uma técnica única capaz de dobrar qualquer adversário, a outra seria mais aguerrida e combativa. Clarice cuidaria para que a bola chegasse na frente com qualidade, mesmo que a maioria não compreenda como ela foi capaz. Já Rachel usaria sua técnica para avançar de forma mais discreta, sendo uma peça mais defensiva. Assim como Jorge Amado, seu temperamento causaria alguns problemas. Seu ponto forte seriam as faltas batidas com toda a força.

A posição do médio avançado poderia ser ocupada por três pessoas: Guimarães Rosa, Adélia Prado e Cora Coralina. Rosa seria o homem puramente inventivo e seria uma boa opção para tabelar com Clarice no avanço da bola. Sua capacidade de criar opções seria quase infinita. Já Adélia poderia ser uma peça para entrosamento do time. Atuaria mais com o ala esquerdo, Drummond, com quem tem uma ótima ligação. Menos criativa que Rosa, no entanto, seria mais focada e sangue frio para fazer o futebol menos arte e mais pragmático. Também seria uma segunda capitã para dar esporros ou indicações de espaço quando necessários no setor avançado. Cora Coralina ficaria como uma terceira opção, normalmente na reserva. Com uma técnica simples, jogaria mais no segundo tempo, sendo reserva ou de Adélia ou de Rosa. Seu futebol simples e leve, além do temperamento calmo, ajudaria a contrapor os ânimos mais esquentados de outros jogadores.

Os atacantes titulares seriam João Ubaldo Ribeiro e Vinícius de Moraes. Ubaldo faria a função de segundo atacante que mistura grande técnica com malicia, uma mistura de Ronaldo e Zidane. Bom cobrador de faltas, também usaria seu psicológico para enfraquecer o adversário. Vinícius ficaria na banheira esperando a chance para fazer o gol, como Romário. Um exímio finalizador que por vezes teria problemas de condicionamento físico. Na reserva, Nelson Rodrigues. O que o impediria de ser titular no lugar de Vinícius seria seu temperamento forte e suas frases polêmicas fora de campo.

Para treinar essa equipe, alguém que realmente entende do assunto: Antônio Cândido.

E então, gostou? Já pensou quem seria a sua seleção e por quê? Deixe nos comentários e se divirta.

 

Fonte: José Figueiredo/Homo Literatus.

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Sobre o autor

Genialmente Louco

“Loucos são apenas os significados não compartilhados. A loucura não é loucura quando compartilhada.” Zygmunt Bauman.

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