sábado, 8 de abril de 2017

Fernando Holiday e o Big Brother de Orwell

Por: João Neto Pitta

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Em meio a um país sangrento, poucas são as boas boas notícias.  O vereador do DEM e militante do MBL resolveu bancar o ”fiscal do ensino” e visitar as escolas municipais de São Paulo com o intuito de intimidar professores ”doutrinadores” e fiscalizar a matéria que é ministrada em sala de aula.  Depois do Juiz Sérgio Moro pedir condução coercitiva de um jornalista, agora Holiday banca o justiceiro ”anti-doutrinação”, e eu aqui me perguntando se já podemos chamar o Brasil de circo.

O que o Moro e o Holiday têm em comum é o abuso de poder, o mesmo abuso que levou Ângelo – personagem da peça ”Medida por Medida” de Shakespeare –  a subornar Isabela: ”Deita-te comigo na cama e teu irmão não terá de sofrer a força da lei”.  Abuso substancialmente diferente, conquanto esteja na mesma lógica da vontade de poder.  A literatura nos traz a possibilidade de conhecer esse tipo de personagem e penetrar em seus pensamentos mais profundos. Por que diabos um Vereador que nem sequer tem  formação pedagógica, se coloca a bisbilhotar o Ensino de professores e se acha no mérito de julgá-los ? A resposta é fácil: vontade de poder.

Holiday é fruto de uma árvore apodrecida que brotou no solo brasileiro, o palhaço de um circo sem cortinas, se apresentando à luz do dia ao povo que decidiu aceitar qualquer coisa como espetáculo.  Batemos palmas para o grito e o ódio, porque a lucidez já perdeu a validade.  Imagine o tal Fernando indo em um hospital pra ver se o trabalho do médico está sendo bem feito, ou verificando se o Engenheiro está considerando todos os cálculos, ou se o advogado está avaliando plenamente todas as possibilidades jurídicas.  Em todos esses casos, bem como no caso dos professores, o garoto do MBL não teria formação suficiente para constatar o que é ou não correto ou o que é ou não doutrinação.

O curioso e irônico é que o outro representante da direita, Paulo Kogos, aduziu há poucos dias que o Holiday é um socialista, um comunista. Claro que não é. Mas a grande questão aqui é o nível de boçalidade dos representantes da direita no Brasil: encaram tudo que diverge minimamente do pensamento deles como ”Socialista”. É o famoso ”Red Scare” ( pavor vermelho) – expressão dada à criminalização de ideias comunistas nos EUA no período da Guerra Fria – renascendo em pleno Século XXI. Não é tão difícil assim acreditar. Lembram daquela senhora que apontou para a bandeira do Japão e, com um rosto de nojo, asseverou que era a bandeira comunista? E, ainda por cima, mandou o povo se informar. O Brasil é o país da ”ignorância iluminada”, do parto abortado, do duplipensar de Orwell que se esgueira e clama em voz alta : ”IGNORÂNCIA É FORÇA”.

Os vigilantes estão em todos os lugares, esperando a palavra proibida fugir da boca de alguém, o olho do Big Brother é quase imbatível e acompanha o Brasil Sangrar; o sangue, meus caros, é vermelho! – ”Alerta comunismo!” – grita um vereador qualquer e o país é preso por sangrar.

Escrevi um texto há um tempo sobre o Escola Sem Partido (“Escola Sem Partido: Uma Forma de Nos Desviar Dos Problemas Na Educação”), nele discorri sobre essa perseguição aos professores e repudiei veementemente tais atitudes, como faço agora com o Vereador de São Paulo e farei sempre que houver qualquer ameaça injustificada contra professores.  O Problema na Educação é outro: é um problema mais complexo, financeiro e valorativo. Esses personagens Circenses, como Holiday e o Ator Pornô que eu esqueci o nome, continuarão aparecendo, mas o país não ri mais deles, compartilham das suas ideias. E, assim, caros leitores, a piada se torna realidade.

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Sobre o autor

João Neto Pitta

Eu, você, ele... Tanto faz! Vamos todos morrer um dia.

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