domingo, 16 de abril de 2017

13 Reasons Why: Os nossos PORQUÊS

Por: Lucas S. Ferreira

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Tire os olhos de Hannah Baker por alguns minutos, ou por alguns episódios.

Observe o contexto.

Em primeira instância temos 13 razões que levaram a protagonista da série a cometer um suicídio.

Logo após isso temos os autores das 13 razões que se expandem em mais de dezenas de outros motivos que os levaram a ter tais atitudes.

Nossa atenção seletiva coloca nossos olhos no resultado final de todo desenrolar da história acariciando os sofrimentos da garota que é chamada em certo momento da série de uma pessoa que “adora enxergar somente os próprios dramas”.

E isso não deixa de ser verdade.

Focamos nas pedras atiradas contra Hannah Baker e nos esquecemos das mãos que as atiraram.

Todo mundo faz o que faz por alguma razão.

É muito cedo para definir o alcance de um programa como esse, apesar dos efeitos positivos já estarem sendo evidenciados ao redor do mundo.

Mundo atual, de momentos preocupantes, onde jovens estão se suicidando por conta de uma baleia azul.

Uma série que orquestra a luta contra o suicídio e o bullying choca-se contra uma realidade absurda de jovens que colocam fim em suas vidas pela imposição de um desafio on-line.

Tudo acontecendo ao mesmo tempo!

Alguém está enviando uma mensagem para todos nós de que algo está realmente muito errado e que precisamos fazer algo por isso.

Repito ainda é cedo para dizermos algo sobre qualquer coisa.

Cabe a observação de que além dos 13 motivos que levaram Hannah Baker a acabar com sua vida temos coadjuvantes que também tem outras centenas de razões para fazerem o que fizeram.

O alvo que recebe a minha granada não sabe como ela veio parar na minha mão.

Não estou querendo justificar nem defender quem comete o bullying, mas acredito que temos que abrir os nossos olhos para que possamos ver que todo o contexto favorece para que a situação seja criada.

Não importa o papel que você assume nessa história, existe sofrimento em ambas as partes. Existe a necessidade da recuperação de algo que estamos deixando pelo caminho e que é o nosso suporte para que coisas assim não aconteçam dentro de nossas casas.

Somos feitos de pedaços sociais. De peças que nos incrementam vestindo-nos de singularidades que nos fazem especiais.

Então se eu me julgo tão bom e incrível preciso enxergar que tudo que tenho em mim veio de uma corrente feita de todos que me cercam, e num círculo que não tem fim, essas pessoas também são um pouco daquilo que eu sou e represento.

Eu me enrosco e me machuco nos espinhos que eu cultivei no meu próprio jardim.

Somos protagonistas de nosso próprio insucesso na maioria das vezes quando não estendemos a mão para aquele que se recolhe no silêncio, e somos ignorantes em querer que todos nos ofereçam abraços quando nunca demos tal exemplo.

O mais valioso conselho que posso dar, se é que posso me colocar nessa posição, é o conselho de nunca minimizar a dor do outro. Jamais acredite que o sofrimento de alguém é algo tolo e desnecessário por mais que pareça ser.

Só quem recebe o tapa, sabe da intensidade da sua dor.

Talvez o erro de Hannah Baker e de todos os seus algozes, tenha sido acreditar que não valia a pena tentar mais uma vez… ou esperar um pouco mais.

Ou procurar a pessoa certa dentro do seu campo de visão.

Hannah gravou suas fitas dizendo todos os motivos que teve para desistir, porém não parou para ouvir as razões daqueles que por algum motivo chegaram a atacá-la.

Não importa a posição que você ocupa. Não importa quem você é na história.

Não temos mocinhos nem bandidos.

Temos pessoas machucadas que muitas vezes não sabem o que fazer com as amarguras que a vida lhes deu e então a única solução que têm é destilar esse veneno pelas terras onde pisam.

Hannah Baker não deve ser vista como uma mártir!

O perigo está em não sabermos onde estão as nossas referências ou colocá-las em figuras erradas.

Estamos na Era da exibição.

Utilize essa permissão para exibir suas emoções verdadeiras. Revelar você mesmo como pessoa inteira, cheia de falhas e acertos, de erros e recomeços e de lágrimas e sorrisos.

Viva-se de verdade, e quem sabe assim você alcance o caminho de respeito que quer trilhar.

Seja você e todas as vozes se calarão.

Seja você e alimente-se disso e todas as razões para te derrubar se tornarão motivos para torná-lo uma pessoa incrivelmente mais do que realizada.

Você não vai ter tempo para ficar gravando fitas anunciando a sua morte, mas vai ficar por ai cantarolando o prazer que é ter mais um dia de vida.

Obviamente que não é fácil conviver-se com um grande sofrimento na alma, não é nada fácil superar a cada dia que passa uma perturbação dentro da mente e dentro do coração.

Dias sombrios, mergulhados em escuridão são reais.

Dores que não tem palavras para explicá-las estão em todos os lugares, em praticamente todas as pessoas.

E não são simples palavras que podem mudar isso…

Ou são!

Talvez uma única voz pode fazer com as coisas que te empurram em um abismo desapareçam!

Uma única atitude pode tornar as cores de volta a vida.

Por isso o meu apelo, o nosso apelo, o seu apelo sempre deve ser:

GRITE!

CHORE!

APONTE!

CORRA!

ABRACE!!

Mas nunca acredite que você está realmente sozinho, por que por mais que pareça,

Você nunca está…

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Sobre o autor

Lucas S. Ferreira

Mineiro, Psicólogo por formação, escritor por insistência, desenhista por hobbie e pianista por não ter mais o que fazer!

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