sexta-feira, 21 de abril de 2017

Textos: Liberdade de Expressão ou Prisão?

Por: Elienae Maria Anjos

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“Quebrem as correntes dos seus pensamentos e quebrarão as correntes do corpo.”
Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach

Euteamo… …
Não, não ficou bom… Aliás, quantas reticências, hein, Elienae?! Acho que você ainda não entendeu o significado da palavra RESUMIR! Talvez seja melhor usar siglas, o uso de caracteres será bem menor, com certeza. Então, continuando, porque o tempo urge e eu preciso escrever algo que explique, responda e ainda acalme um coração carente e necessitado: ETA (Leia-se: EU TE AMO)

Será que agora está compreensível?… huuum….Sei não… Meu Deus, por onde anda o ET?? (O Extraterrestre). Creio que ele poderá me ajudar, porque se com apenas um toque de seu dedo, a comunicação fluía com muitas informações de sua mente à nossa, provavelmente ele entenderá o que estou passando e me ensinará algum outro tipo de método que me faça poupar tempo, esforço mental, pesquisas, poesia, espaço e quantidade de palavras para declarar não só o amor, mas também a amizade em um texto mega objetivo para ser postado. Mas, ainda há a dúvida: Será que a pessoa compreenderá?

Terá tempo de compreender e até mesmo ler em meio a sua agitação H U M A N A?
Mesmo priorizando a quantidade de palavras em uma reflexão, resenha ou pesquisa, alguém terá que ter uma parada obrigatória em sua extrema vida corrida para ler, senão, como decifrar tamanha remissão de texto que mais parece um código secreto do que uma ideia desenvolvida?

Que sufoco! Como diz meu amigo Luís Felipe: “tempos difíceis são esses” em que só de enviar um “texto reflexivo”, nós escritores tenhamos que nos ajustar as condições de uma prisão de regras que insistem em reduzir não só os caracteres, mas principalmente as mentes criadoras. Como lidar com a inspiração que deve ser liberta em nossa escrita? Teremos que explanar o assunto, pesquisar citações, procurar o título certo, fora as outras obrigações que um escritor tem com o respeito, a sensatez, entre outras coisas, agora será também necessário nos atentar preocupadamente em acompanhar a quantidade de palavras tão facilmente vistas no rodapé do Word, que por sinal, sem ao menos ter fechado o assunto, o número de palavras e caracteres já estão em 1.265…hahahaha ou seja, ainda há muito que dizer, e mais ainda o que cortar. Que sentido há nisso?

Sinceramente, não consigo entender. Oops! Avancei de novo!!!… Precisei cortar o tempo, afinal, são 02:18 da madrugada de quinta-feira e enquanto escrevo tanto desabafo e perdendo horas de sono, poderia estar parindo vários textos sem objetividade e sentimentos por segundos! Poderia estar apertando os botõezinhos mágicos das inspirações e criar novas reflexões fodásticas para publicar em todos os sites, blogs, revistas, jornais e até quem sabe no céu!!…

Mais uma pausa, por favor! Importa postar muito para que eu alcance o sucesso ou abraçar os meus leitores com reflexão produzida de uma gravidez sadia e tranquila?

Outro questionamento… Se somos chamados de “escritores da liberdade”, onde se encaixa a punição ou o controle sobre a liberdade de se aprofundar em nossa alma e dela extrair sem pena ou economia o que todo leitor espera ansiosamente encontrar na leitura das nossas publicações?

Nossa… Onde iremos parar minha gente?! Parar?! Não! Nem pensar!! Viramos trem bala! Quanto maior a velocidade em reduzir textos, menos será o tempo escrevendo, e consequentemente, mais textos limitados para saciar as muitas postagens que precisam ser diárias para chamar mais público, para aumentar os seguidores e obviamente matar de fome a pessoa que não espera de nós superfície rasas nas imaginações. Somos humanos ou robôs? Estamos nos comunicando com pessoas ou alienígenas? O que nos tornou tão sucintos ou indiferentes no ato da comunicação com os seres de nossa espécie? Se eu abrir mão do que sou, com certeza me verei repetindo a atuação da atriz Amy Adams, que vestida da personagem Dra. Louise Banks, a linguística do filme Arrival, se esforçou muito em obter uma comunicação rápida, curta e eficaz com seres de outro planeta, porque os homens tinham pressa, muita pressa. Será este também o futuro das comunicações via textos pela Rede?

E novamente volto a lembrar de outro fato muito forte sobre a comunicação, e uma delas veio pelas palavras sábias da Raposinha no livro O Pequeno Príncipe… Que lição aquele animalzinho conseguiu compartilhar com o Príncipe, antes tão leigo na arte da comunicação verbal e da conquista, assim como ainda é o mundo que ele visitou e que nós moramos.

“- Por favor… Cativa-me! Disse ela.
– Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
– Que é um rito? Perguntou o principezinho.
– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa.”

Infelizmente esses rituais estão se apagando aos poucos e se a arte da conquista e da comunicação pela fala está sendo deixada de lado, uma das novidades do momento é a mordaça nos pensamentos ou barreiras no rio que jorra dos escritores, onde eles se refrigeram e ao mesmo tempo alimentam quem busca nos textos águas profundas. Sem reduções, poderá existir um mergulho salvador que salvará e alimentará muitas vidas com escassez de poesia, de palavras e do contato via textos hospedados em tantos sites e blogs que deveriam ter um caminho, porém sem obstáculos para a passagem das águas da vida.

Faço parte daqueles que não aceitam ter bloqueios e cortes nas reflexões. Minha vida física pode ter limites, mas minhas palavras não terão grades aprisionando minhas criações, diálogos e textos. Não me prostrarei às modernidades da contagem de palavras em meu espaço, porque mesmo que o mundo gire tão rapidamente e tente atropelar a liberdade, a minha forma de me expressar nunca deixará de existir. Se me faltar folha física ou página virtual, poeticamente continuarei a escrever na areia da praia ou usarei um batom para deixar minha marca em um espelho, porque escrevo por amor, por prazer, como já havia dito antes, esta é a minha salvação. Se fosse por obrigação,  preferia ter a inspiração abortada, a uma escrita morta em vida.

 

Este artigo, de minha autoria, foi publicado originalmente no blog Leituras da Paty.

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Sobre o autor

Elienae Maria Anjos

Uma criança-mulher que não quer deixar de crescer na sensibilidade. Que brinca com seus lápis e tintas nas telas palpáveis e visionárias do emocional. Que aprendeu a escrever nos papéis virtuais o que só o diferente entende. Amiga dos livros físicos e humanos. Amante dos pensamentos. Eterna admiradora da Sétima Arte. Apaixonada por lágrimas e sorrisos. Mãe de cinco gatos. Enfim, habito dentro do refúgio que há em minhas escolhas e em tudo o que escrevo, que vai além do meu infinito, mas, em minha varanda emocional há um espaço para quem queira se aproximar...

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