segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sinto em dizer, mas o dia 1º de MAIO é dia do VAGABUNDO e não do TRABALHADOR

Por: João Neto Pitta

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Nem sempre o trabalho foi visto com bons olhos. No feudalismo, por exemplo, apenas o servo cumpria as atividades básicas; na Monarquia vários eram os escravos submetidos ao labor e por um bom tempo criou-se um estigma ruim acerca do trabalho, de tal modo que os seres que estiveram na mais baixa escala de classe é que sempre foram selecionados para a atividade menos ”honrosas” (como foi dito muitas vezes por portugueses senhores de escravos): índio, servo, escravo.  Bom, alguém tinha que colocar a mão na massa, né?

Karl Marx asseverava que antes de pensar, de criar códigos e de criar o direito, o homem precisa se alimentar e preencher as suas necessidades básicas e, para isso, precisa inevitavelmente trabalhar. Não precisamos ir muito longe para entender isso. Na Grécia Antiga, um dos lugares em que mais se desenvolveu a filosofia, a política, as ciências, só pôde se elevar a este nível pelo motivo de que existiam escravos que cumpriam com o papel da infraestrutura, os cidadãos lograram-se disso para se voltarem apenas à polis se atendo à politica, filosofia, a superestrutura em geral.

Então, se faz necessário perceber que o ”trabalho”, no ” Stricto Senso”, estava de mãos dadas com um certo tipo de dominação.  Anda não havia, como há hoje, um caráter redentor no trabalho, de significação espiritual e moral. Aliás, alguns autores conservadores até diziam que a natureza humana estava mais condicionada ao descanso do que ao trabalho; outros acreditavam que existiam seres que eram feitos para trabalhar e outros para comandar; mais tarde essa crença será mais voltadas aos seres de epiderme diferente, alguns até dirão que estes seres não têm alma. Já sabem de quem estou falando?

A dominação já foi justificada de inúmeras formas diferentes, aí vai alguma delas : ‘‘Existem seres feitos para o trabalho”,  ” Fardo do Homem Branco”,  ” Big Stick” …  Perceba que existia uma preocupação em se justificar a dominação, a dar a ela um caráter benevolente e palatável.  Coma ascensão da burguesia e a revolução industrial, o trabalho passou a se tornar algo ”redentor”  e necessário.

Quem não lembra da história da formiga e da cigarra? A cigarra preguiçosa se fode e a formiga trabalhadora se dá bem.  O Trabalho passa a ser encarado  tal como uma necessidade individual, todos têm que trabalhar. Boa parte dos filósofos burgueses começaram a dizer que ”a natureza humana” é uma natureza empreendedora, o ser humano é um ser que naturalmente quer inovar. A natureza humana, então, muda em cada etapa da história?  Podemos dizer que houve uma revolução na significação da palavra ”trabalho”.

Com o trabalho agora sendo visto como algo praticado por gente do bem e a preguiça sendo escarrada como forma de perversão humana, se legitimava, dessa forma, a longa jornada de trabalhadores  que, muitas vezes, para garantir o seu sustento, tinham que levar a esposa e os filhos para desempenhar algum papel nas industrias. O capitalista bonzão não forçava ninguém a nada, cada um trabalhava mais de 16 horas por dia (com mulher e filhos) pela a sua livre e espontânea vontade, ou pelo menos, era isso que queriam que todos acreditassem.  Na verdade o que era falado em alto e bom som era mais ou menos isso ”Ou você trabalha pra mim, nas minhas condições, ou fica desempregado e passa fome”. Eis a liberdade do proletário.

Como vimos até agora, houve uma grande mudança na significação da palavra ”trabalho”, que passou a ser encarada como uma atividade redentora do ser humano. Mas com isso, o desviante passou a ser  aquele que se insurge contra as injustiças que se apresentavam no trabalho, dentre eles, o grevista, a quem se convencionou chamar de ”vagabundo”.

Entretanto, apenas uma curiosidade, o dia primeiro de maio é um dia que homenageia vagabundos. Sim, vagabundos, que se insubordinaram contra os salários baixíssimos e as péssimas condições de trabalho (como em locais insalubres). Outrora, o ato do dia primeiro de maio foi conduzido por trabalhadores americanos em Chicago que terminou em forte repreensão, mortes e bastante violência contra os ”desviantes”, que foram tratados como bandidos da pior estirpe. Então, se você hoje, por algum acaso, estiver sendo beneficiado por algum desses direitos trabalhistas que foram conquistados, não agradeça ao seu patrão, agradeça ao trabalhador, melhor: ao vagabundo. Dito isso, a partir de agora a campanha está lançada: ao pensar nos direitos trabalhista, agradeça a uma figura imprescindível na conquista destes. Agradeça ao “vagabundo”.

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Sobre o autor

João Neto Pitta

Eu, você, ele... Tanto faz! Vamos todos morrer um dia.

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