domingo, 14 de maio de 2017

MÃE: Verbo do Infinitivo Indecifrável

Por: Guilherme Lima

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É quase que um senso comum os textos sobre mães nesta época, próximo a data comemorativa referente aquelas que são as guardiãs mor da humanidade. Textos que se remetem sempre a figura afetuosa, dedicada, delicada, caridosa e carinhosa. Retratam a maternidade e toda sua complexidade como algo quase intocável e divino, principalmente pela suposta fragilidade em que uma mulher acaba se tornando refém quando assume o papel de mãe. Este modo de enxergá-las apenas de um viés sensível, acaba por ocultar a realidade da maternidade: o quanto se é necessário ter forças para suportar as agruras de amar outro ser mais do que qualquer coisa.

Mães suportam as maiores adversidades para fazer com que seus filhos consigam viver do melhor modo possível, movendo mundos e fundos para tal intuito. Ao longo dos tempos e das eras, o ser mãe é algo por deveras essencial na configuração humana, tentando nos proteger das dores mundanas de qualquer maneira. Mesmo sabendo que isto é uma utopia, ela persiste neste devaneio por mais que esta tarefa seja inglória e impossível. Quanto mais o filho tiver de tempo resguardado dos desconfortos das complexidades da vida, ela estará feliz por ter permitido alguns instantes a mais de felicidade para seu rebento.

Defender a prole das intempéries e facilitar da melhor forma as veredas da existência do filho é o cotidiano do que uma mãe passa. Vai acompanhando as etapas de um ser tornado quase que uma extensão de si, indo além de quaisquer meios e formas adotadas por nós meros mortais, através de nossos inventos e teorias científicas, sociais e de outros tratados verborrágicos, buscando entender aquela função(talvez missão) como das mais insanas e inglórias presentes na humanidade, tal qual é a maternidade. A ideia de mãe perfeita, alegre, sempre disposta e perfeita é uma grande injustiça, já que divinizar a figura da mãe a desumaniza e lhe dá obrigação e proibições de certos comportamentos que os outros podem ter, mas não são permitidos as mães agirem desta forma.

Parece que muitas vezes as condenam e lhes é negado se irritar, sair para curtir a vida um pouco, ter o momento para si própria, ausentar-se de suas funções maternas. Mães acabam sendo privadas pelo meio social, injustamente, de viver além da expectativa e funções que a sociedade acaba relegando a ela. É a maneira extremamente cruel de tratar alguém responsável e que se dedica de forma, literalmente, apaixonada pelo outro de maneira indescritível. A definição do ser mãe não possui um conceito presente em qualquer dicionário ou linguagem, a não ser é claro que se considerarmos o amor incondicional como tal. Geralmente conectamos as mães a atos tresloucados em nome dos filhos, contudo creio que a loucura materna nada mais é, como diria Shakespeare, a única loucura de um sábio.

Por todas as obrigações e dificuldades que uma mãe passa, elas não devem ser consideradas rosas ou serem presenteadas com estas. Mães devem receber e serem considerados Diamantes: valiosos, resistentes e que aguentam as mais altas temperaturas e pressões adversas. Acumulando a maternidade com a carreira profissional, se referir as mães como guerreiras amazonas da modernidade cai muito bem. Por tudo que passam atualmente, tendo que abdicar de “n” coisas em nome dos filhos, mães são em síntese super-heroínas sem traje nem máscaras, tendo apenas o peso de seu amor e muitas vezes não lhe é reconhecido (aqui fazendo meá-culpa).

Ficamos tão absortos em nosso próprio mundinho de egoismo e outras mesquinharias individualistas, que vamos não dando importância e deixando arrefecer nossa relação com as mães. Damos as desculpas das mais diversas a nós mesmos para justificar o distanciamento crescente com aquela que nos dedicou extenuantes horas para vivermos da melhor maneira. Esquecemos deste fato inconscientemente, como algo natural, numa ordem universal da mesma maneira em que os pássaros acabam saindo de seu ninho. Porém, como os pássaros, nossas asas ou pernas podem ser quebradas, objetivos e metas podem ser frustradas, e como ninho de passarinho, os braços e cuidados de uma mãe estão sempre disponíveis para nos resguardar dos monstros presentes no mundo la fora.

Podemos adotar diversos discursos sobre o que é uma mãe: devotadas, apaixonadas, sensíveis, fortes, amorosas, severas, exigentes, exageradas ou até mesmo nestes tempos modernos, “fitness”. Contudo podemos evitar termos, como uma visão de “Amélia” para com as mães, perfeitas e idealizadas. Humanas, demasiadamente humanas, é nisto que reside o indecifrável, o que torna as mães fortes são suas singulares fraquezas. Os seres com maior empatia com o outro(s), talvez sejam as mães.

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Guilherme Lima

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