terça-feira, 16 de maio de 2017

O Grande Gatsby e a Banalização das Emoções

Por: Geylson Rayonne Cavalcante

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Qual nosso real valor?

Talvez esta seja uma das principais indagações que ficam após a leitura do romance The Great Gatsby, escrito pelo americano F. Scott Fitzgerald (1896-1940) e publicado em 1925. O livro, em si, é uma verdadeira critica aos valores sociais daquela época, cuja história se passa durante o verão de 1922. Os personagens, bem construídos e encaixados, dão sentido a uma narrativa divertida, romântica e ao mesmo tempo, reveladora.

No inicio do século XX, os Estados Unidos da América saem vitoriosos da Primeira Guerra Mundial, tornando-se uma potencia econômica, tendo em Wall Street o coração do mercado financeiro. O dinheiro era fácil. O jazz era a música do momento. As festas pareciam uma verdadeira contemplação a Dionísio e o consumo era o Deus da época. A lei seca tornava a bebida mais barata, dando margem ao contrabando.

Diante de tudo isso, Nick Carraway é atraído à Nova York pelas oportunidades, a história é contada por ele, é por sua perspectiva de mundo que se constrói uma critica altamente lacônica à sociedade da época. Seu sonho era ser escritor. De certa forma, ao analisar o estilo de vida do personagem e do autor da obra, verifica-se uma identidade entre ambos. O moralismo de Nick traz reflexões sobre o comportamento social de seu tempo: afinal, até onde as pessoas estão dispostas a ir para materializar o Sonho Americano?

Long Island é o pano de fundo para a exuberância da Era do Jazz. É lá que está a mansão de J. Gatsby, lugar onde suas festas são promovidas. O exagero da época fica claro neste ponto. Homem de origem duvidosa, cujo dinheiro vem lá se sabe de onde. Seus carnavais são realizados na esperança de que um certo alguém compareça. Nick é seu vizinho, mora numa casa, exprimida entre palácios, como bem enfatiza ele.

Naquele verão, Carraway vai à casa dos Buchanan, que fica do outro lado da baía, jantar com sua prima Daisy, casada com Tom, homem de família rica. Neste momento, nos é apresentada Jordan Baker, a golfista. Personagem de beleza impar. Apaixonante.

A história segue.

A obra gira em torno destas pessoas. O mais notório é Gatsby, pois ele nos traz lições que podemos aplicar na vida. Liderança é uma delas. Bravura, talvez esta seja sua maior qualidade, foi atrás do que queria e conseguiu. Não se acovardou. Utilizou-se das chaves que lhe foram dadas. Tornou-se rico. Como? Só lendo a obra para descobrir. Apaixonado por Daisy, fez de tudo para materializar seu grande amor, mas, foi derrubado pela hipocrisia daquela época.

A ideia de Sonho Americano nos é exposta em Gatsby, pois o contexto de seu tempo colocava nos EUA as oportunidades de felicidade, onde o dinheiro era convertido em expressão máxima do valor humano. Nick enxergou a degradação daquele modelo de vida. Apesar de gostar da bebida, das festas, o personagem conseguiu suscitar que nada disto tem sentido se você não for capaz de ver o sentido de tuas próprias ações. Sentir o vazio da decadência é como ouvir um blues: provoca dor e, ao mesmo tempo, te faz esquecer a própria noção de sofrimento.

Fitzgerald (1896-1940) expõe as mazelas de uma época em que o existir era desprovido de qualquer esperança. Não se trata somente de diversão, de ser ativo o tempo inteiro, mas sim, de entender que o outro é um espelho que reflete uma imagem complexa de si mesmo. Não é o homem que se situa no tempo, é a sua percepção de mundo que o faz ir além da degradação social.

O filosofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) dizia que em geral, festas e entretenimentos brilhantes e ruidosos trazem sempre no seu interior um vazio ou, melhor dizendo, uma dissonância falsa, mesmo porque contradizem de modo flagrante a miséria e a pobreza da nossa existência, e o contraste realça a verdade. Nick, Gatsby, Daisy, Jordan e Tom eram existencialmente pobres, pois só enxergavam no dinheiro as oportunidades de aumento de potencia do próprio ser.

Por incrível que pareça, o traço humanista do personagem que narra a história revela, paradoxalmente, o que vivemos hoje. Nos grandes centros festivos, os copos estão cheios e as pessoas vazias, não há mais romance, nem conversas, as relações deixaram de ser significativas e o dado que comprova isso é a liquidez que rodeia o mercado afetivo da modernidade. Seja na festa do Wesley Safadão ou no Cinema, se não houver a mínima chance de materializar as sensações, de obter ganho de energia suficiente para entrar em contato com a atmosfera do outro, os sentidos estarão perdidos.

Em The Great Gatsby, o dinheiro é a resposta. Ele é a cura, a chave para tudo: para o sucesso, para o divertimento, para o sexo. O ano é 1922. E hoje? Qual é a solução para as misérias dos valores sociais? Será o amor uma saída? A denúncia de Fitzgerald (1896-1940) é atual. Não basta ir atrás somente do que é importante, mas sim do que tem significado. Gatsby agiu bem e produziu tristezas para si mesmo. A lição não é sobre ele, é sobre nós: o sentido e o valor que temos não é dado pelo mundo ou pelas pessoas, ou seja, não devemos terceirizar nossas sensações sob pena de infelicidade existencial.

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Sobre o autor

Geylson Rayonne Cavalcante

Um substrato do universo.

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