quarta-feira, 17 de maio de 2017

Com 20 e poucos e em CRISE

Por: Rafael Magalhães

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Como de costume, começo a escrever com uma música que diz uma parte de como me sinto.

Sinto o peito vazio e ainda assim farto
Estou triste, tão triste
E o lugar mais frio do rio é o meu quarto

A música é de Caetano Veloso – Estou triste. Nada mais literal.

 

Quantas vezes já não suspirei tão fundo que o ar do ambiente não parecia suficiente para preencher o vazio que fazia parte de mim? E mesmo depois de colocar aquilo tudo pra fora, ainda estava cheio. Cheio de nada. Sabe como é? Simplesmente o coração bate inundado por um marasmo. Nada te anima, seu sorriso é seco, seus olhos sem brilho, a solidão é latejante e por vezes a vontade de chorar amarga o espírito.

A ideia de ficar deitado o tempo todo não é atrativa, mas sair para conhecer novas pessoas não é mais tentador que a primeira opção. O filme que passa já não chama atenção, aquele livro empoeirado, que você já imagina o final, não te agrada e por vezes nem mesmo a voz da pessoa mais especial dizendo que tudo vai ficar bem é capaz de te tirar dessa. Dessa. O que seria essa?

Um estado onde o que é mais desejado é que o mundo parasse! Que você pudesse ficar sozinho, em um canto em silêncio, ouvindo a natureza ou até uma boa música. Sem se preocupar com o hoje ou o amanhã. Sem pensar nas contas que estão chegando, ou que já passaram. Sem ter a obrigação de acordar no horário X porque mais tarde que isso o trânsito já estará horrível. Sem ter que estudar para 500 provas, já que ficar na média não te dará aquele emprego que você precisa. Já imaginou? Poder sair e não ter que se preocupar com o que vestir, com o que pensarão de você, com quem você é. Talvez ser ninguém por um momento caísse bem. Até mesmo chorar, sem motivo aparente, seria algo aliviante. Poder deixar as lágrimas escorrerem sem se importar por ser homem ou em borrar a maquiagem.

Você chegou nos seus 20 e poucos (ou talvez muitos) e você ainda não tem seu próprio carro, ainda mora com os pais, seu trabalho dos sonhos parece mais uma tortura do que algo que te engrandece, aquele bar tão desejado na sua adolescência perde o charme, a faculdade já te sugou o máximo que podia com milhares de exercícios, provas e trabalhos em grupo (pra semana que vem) e para não parecer exagerado, vão sobrar aquelas 5 horas no seu dia para aproveitar como você quiser! Talvez comer algo, falar com alguém que você goste ou dormir. No máximo 2 opções, 3 já é pedir de mais.

 

O pior é quando, em um momento de lazer, te perguntam: E ai, ta fazendo o que da vida?

 

Você já parou pra pensar nisso?

 

Com tantas coisas que você TEM que fazer, TEM que entregar, TEM que apresentar, TEM que pagar, os lugares que você NÃO PODE deixar de ir, você já parou pra SER? Para pensar por quais trilhas seguir? Afinal, os pais, amigos, professores, empregadores e sociedade em geral esperam que com esta idade você já tenha tudo planejado, definido e a caminho, e se não tiver, não se preocupe! Eles sabem qual a melhor maneira de você viver sua vida. Acredita? Nem eu.

Muitos ainda podem lhe julgar por não aguentar essa pressão, vão chamar de “frescura”, ou que a “vida dura” ainda não começou e que isso é “corpo mole”. Como dizem: “Um jovem assim e já está cansado?”. E sim, estou… De ser exigido, pressionado a viver em uma selva, onde em todos os momentos tenho que estar melhor do que o outro, mais forte e preparado. Lógica da cadeia alimentar. Em um mundo onde há a existência de guerras nucleares, pessoas se matando loucamente, outras recusando abrigar refugiados, enquanto alguns outros desviam dinheiro do público para si próprios, sendo televisionado esquemas de corrupção enquanto pessoas morrem de frio e fome. Tem algo muito errado nisso tudo. E se não estiver, eu estou.

Tudo isso causa uma aflição, uma ansiedade e até um desespero. Em alguma vez seu olhar estava tão vazio que você não estava ali? Nem em outro lugar. Você simplesmente não existia. Não estava vivo. Já suspirou tão fundo que o seu coração gostaria de não bater mais, para que aquela sensação de preenchimento não acabasse nunca? E aquela vontade de chorar que te enche os olhos, te obriga a fazer careta, mas nem mesmo uma puta lágrima desce? Tu já se sentiu tão sozinho nessa vida que, pensar na morte deixa de ser algo tão estranho?

Pois então meu amigo, você está sozinho sim. É! Por mais que você sinta essa coisa toda, nós não somos iguais. Você nunca vai entender essa coisa que eu sinto. Pode até imaginar, mas nunca vai saber!

E por fim, não tá tudo tão ruim assim. É tudo questão de perspectiva. O problema é que eu não tenho nenhuma.

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Sobre o autor

Rafael Magalhães

Jovem, estudante de Psicologia, possível Existencialista, estudante da Morte, em crise com a vida, com sonhos. Fotógrafo de hobby e escritor de poesia no tempo livre.

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