terça-feira, 23 de maio de 2017

O amor em seis estrofes

Por: Alberto Silva

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OS SENTIDOS DO NÃO DITO

Breve é o tempo que temos, breve são as passagens
Breve são os sentimentos, longas as miragens
Fidelidade e (in) fidelidade, ações, sentimentos escritos em papel
Quão longa é a tarde, amor, amizade se desfazem como véu
Ao som lisonjeiro me inebria uma voz que encanta
Tristes coisas da minha vida, feliz aquele que dança

Se desfaz, se despedaça, numa rima contínua
Caminho lentamente, rumo à desilusão, em estrada contígua
As palavras não ditas, os silêncios exasperados
São muitas as vozes na cabeça, são grandes desejos desesperados
Terei eu a oportunidade de gritar em meio à solicitude
Convenções, vestes, prisões, amarga é a juventude

Já se disse que a língua que cala não é a mesma que consente
Dita cuja natureza, espiã minha, oculta aquele ente
Silêncios sepulcrais, subjetividades veladas, horror
Eis aí o resultado da supressão da minha alma anterior
Aparente incógnita sem rumo, desvelo com caminho
Viva o povo brasileiro, diria João Ubaldo Ribeiro, no oposto ao pergaminho

Mensagem arrebatada, verve cansada, o beijo que não foi
Absoluto descompasso, nem parece alterado, bege como peixe boi
Os espinhos são finos, soltos ao vento nossos tinos, o valor simbólico de um simples “oi”
A forma mais perfeita não define, o conteúdo mais raso até inflige, instaura-se a origem
Das simplicidades desapercebidas, dos cântaros e de aludidas, decompostos via vertigem
Assobio dentro de mim, pintura de solo vermelho com carmim, transforma-me em fuligem

Homens e mulheres saiam às ruas e anunciem: (des) adormeceu a fascinação
Na passagem estreita do ciclo que nos consome, deparo-me com o coração
Coração que no pulsar não se manifesta de forma ansiosa ou (des) apercebida
Na aurora estrelada comemora-se pela flor, pelo sonho, pela viagem, pela vida
Renascimento da imaginação, que não mata o sentimento, desprovido de alento
Melhor seria o sumiço das sílabas apaixonadas num jogo do mar ao centro

Armaram elegantemente os anjos o momento da poesia
Minunciosamente delicada, exposta à bela companhia
Oclusa, recôncava, convexa, não para se fazer inteligível
Ríspida, solene, encravada, no limite do (in) dizível

(Alberto Silva, 23/05/2017)

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Sobre o autor

Alberto Silva

Alberto Luís Araújo Silva Filho. Graduando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo de Estudos em Teoria Política Contemporânea (DOXA), vinculado ao Grupo de Pesquisas sobre Instituições e Políticas Públicas (CNPq). Além de amante da ciência política, é também apaixonado por sociologia, cinema e literatura. Colaborador semanal do Genialmente Louco.

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