sexta-feira, 2 de junho de 2017

Humanidade Fantasma

Por: Lucas S. Ferreira

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Observando um pouco as pessoas com quem convivo, socialmente em todos os âmbitos, existe algo presente e preocupante e que chega a ser desesperador.

As pessoas não sabem mais quem são!

Não sabem. Simples assim. Não sabem.

Não tem a mínima consciência de si mesmas.

Não encontram palavras para descrever a si mesmas.

Estão perdidas, vagam, ganham dinheiro, fazem filhos, sexo, comida, amigos, música, etc… e só.

É complexo e não engraçado você perguntar a uma pessoa: “Quando você se olha no espelho o que você enxerga?” e a pessoa responder, “Eu vejo a minha cara”.

Ai você olha por alguns segundos e vê que aquela realmente é a resposta que ela quis dar, ou a única resposta que pôde dar.

Escrever algumas linhas então sobre si mesmo, nem pensar.

É uma tortura.

Agora também fico pensando, será que as pessoas não sabem falar sobre si mesmas, ou simplesmente não querem falar sobre si mesmas.

Se elas não sabem falar sobre si, algo está errado, pois não existe mais o exercício da introspecção. E se não querem falar mais de si, isso é porque já não existe mais confiança.

Ambos os casos destroem nossas relações sociais, porque não existe mais troca. Não existe mais compartilhar e isso impede que construamos nossas personalidades e impede que nossos horizontes possam se expandir.

Ficamos fechados em nossas bolhas de existência, achando que estamos cheios dos piores sentimentos do mundo e que somos únicos em nossas dores e lágrimas.

Nos afastamos de nós e depois do mundo.

Nos tornamos fantasmas em uma humanidade real.

Fantasmas que não compreendem mais o corpo que carregam e não sabem muito bem o que têm dentro de si.

Corpos transparentes sem conteúdo que vagam pelos lugares e pessoas procurando amparo e descanso, e que, no entanto não encontram nunca nada que os satisfaça.

Lewis Carrel escreve assim no clássico “Alice no País das Maravilhas”:

“No decorrer da viagem, Alice encontrou muitos caminhos que seguiam em várias direções. Em dado momento, ela perguntou a um gato sentado numa árvore:

– Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

– Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.

– Eu não sei.

O gato, então, respondeu sabiamente:

– Sendo assim, qualquer caminho serve.”

Qualquer lugar serve. Qualquer pessoa, qualquer roupa, qualquer trabalho, qualquer amor… para quem não sabe de si. Para quem é um fantasma, qualquer coisa serve.

Minha tarefa não é somente dizer tudo isso e ficar em silêncio.

Porém não quero dizer nada, a não ser:

Olhe para si mesmo. Pense em si mesmo.

Eu sou o gato na árvore e você é Alice.

Nos encontramos e você me pergunta qual o caminho que deve seguir, e a pergunta que devolvo não é muito diferente:

Quem É você? E para onde você QUER ir Alice?

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Sobre o autor

Lucas S. Ferreira

Mineiro, Psicólogo por formação, escritor por insistência, desenhista por hobbie e pianista por não ter mais o que fazer!

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