domingo, 11 de junho de 2017

10 CLÁSSICOS escondidos na NETFLIX que você precisa VER

Por: Erick Morais

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Orson Welles disse que: “O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho”. Dessa forma, por meio de obras cinematográficas podemos investigar e adentrar naquilo que forma e constitui o ser humano tanto como sujeito individual, quanto sujeito social. Podemos perceber como se estrutura o espaço no qual vivemos, como também o espaço interno que nos forma. Então, de fato, não há limites para o cinema, o que nos leva a alguns de seus clássicos disponíveis na Netflix e indispensáveis para quem gosta de bom cinema e de ultrapassar as barreiras que a realidade muitas vezes nos coloca. Como alguns filmes evidentemente ficaram de fora, deixem nos comentários os que, na opinião de vocês, deveriam estar na lista. Ademais, como o catálogo da Netflix muda constantemente, eventualmente, algum dos filmes pode sair do catálogo futuramente. Enfim, vamos aos filmes.

 

PSICOSE (1960)

Janet Leigh in Psycho

Apesar de não ser considerado pelos críticos e fãs como o melhor filme do Hitchcock, Psicose é um filme extremamente emblemático por construir uma narrativa que acabou influenciando definitivamente o gênero suspense, com cenas memoráveis e sequências ainda hoje repetidas em vários filmes do mesmo gênero. Só por isso o filme já deveria ser visto, mas além do legado histórico, a obra é extremamente bem trabalhada e possui uma história que envelheceu muito bem, prendendo o espectador do começo ao fim, contando também com uma atuação memorável de Anthony Perkins, que interpreta Norman Bates, um dos psicopatas mais aterrorizantes do cinema.

 

DR. FANTÁSTICO (1964)

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Lançado no emblemático ano de 1964, com direção de um dos maiores cineastas de todos os tempos, Stanley Kubrick, o filme (baseado no livro “Ameaça Vermelha” de Peter George) constrói uma narrativa que ironiza a guerra fria bem no meio dela. Com um humor ácido e satírico, Dr. Fantástico procura criticar e ao mesmo tempo demonstrar o absurdo de uma guerra, em que a paz é mantida por meio de belicismo irracional. Como característico do cinema do Kubrick, o filme é extremamente inteligente e bem orquestrado, promovendo uma reflexão profunda sobre a falta de racionalidade e humanidade presente na guerra.

 

O PODEROSO CHEFÃO – TRILOGIA (1971-1990)

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Um dos maiores clássicos da história do cinema, o filme que possui como recorte principal a família Corleone, na qual estão inclusos Don Vito Corleone (Marlon Brando) e Michael Corleone (Al Pacino), mostra todas as nuances da máfia italiana e ítalo-americana. Ao longo da série, conhecemos a rede complexa que forma a máfia, as disputas familiares, o jogo pelo poder, a corrupção envolvendo diversos setores, como a polícia, o sistema judicial e até mesmo a Igreja. É um filme que vai historicamente além do mundo da máfia, percorrendo a própria estrutura de formação do Sul da Itália, onde as “famílias” se desenvolveram em função do processo tardio de unificação italiana e da falta de intervenção do Estado; o processo de imigração europeu, no famoso discurso de que iriam “Fazer a América”; os anos dourados americanos, marcados pelo otimismo consumista; e até a eclosão da revolução nacionalista em Cuba no ano de 1959, demonstrando como a ilha era economicamente explorada pelos estadunidenses, inclusive, pela máfia. Enfim, a trilogia é um clássico imperdível para quem gosta de cinema e história.

 

UM ESTRANHO NO NINHO (1975)

P4847-0140, 4/1/08, 2:17 PM, 16G, 5536x7856 (344+80), 100%, Custom, 1/80 s, R42.7, G27.0, B52.0

Baseado no romance homônimo de Ken Kesey, o segundo longa de Milos Forman filmado nos Estados Unidos, é um mergulho profundo na psique humana. O filme narra a realidade de um hospital psiquiátrico e a mudança que ocorre na sua rotina a partir da chegada de um sujeito que não se adequa às rígidas regras do local. Esse sujeito é R. P. McMurphy, em uma interpretação genial do Jack Nicholson. Mac, como é chamado, é um cara malandro, com alguns problemas com as normas jurídicas, que se finge de louco para não ter que cumprir pena na prisão, chegando, então, ao hospital sob custódia. A partir disso, a vida dentro do hospital muda radicalmente, de tal maneira que somos levados a questionar o modus operandi do lugar, assim como o que define alguém como louco ou não. É um filme cheio de camadas, extremamente filosófico, com atuações sensacionais de todo o elenco, além de contar com cenas engraçadíssimas. Um Estranho no Ninho nos traz uma discussão muito boa sobre a loucura, o que pode casar muito bem com a leitura de “O Alienista” do Machado de Assis.

 

TAXI DRIVER (1976)

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Taxi Driver, talvez a maior obra-prima do gênio Martin Scorsese, nos apresenta Travis Bickle (em uma atuação espetacular de Robert De Niro) um jovem que aparentemente serviu no Vietnã e não consegue se enquadrar na sociedade. Sofrendo de insônia, ele decide arrumar um emprego de motorista de táxi, a fim de que possa, ao menos, lidar de maneira menos desgastante com o seu problema. O filme proporciona uma abordagem pós-moderna acerca da solidão e da degradação da vida na sociedade contemporânea, apresentando problemas como a depressão, a paranoia, a insônia, a exclusão social, o preconceito e a fragilidade existencial. Fazendo um mergulho profundo na degradação da mente de um homem perturbado com o mundo, o que é acentuado pela trilha sonora de Bernard Herrmann, Taxi Driver é um filme imprescindível para se analisar a vida urbana pós-moderna, o que pode ser complementado por uma boa leitura de Bauman.

 

AMADEUS (1984)

Zur ARTE-Sendung Amadeus 5: Als Wolfgang Amadeus Mozart (Tom Hulce) 1781 nach Wien kommt, hei§t es, er sei der grš§te Komponist des Jahrhunderts. © The Saul Zaentz Company Foto: ARTE France Honorarfreie Verwendung nur im Zusammenhang mit genannter Sendung und bei folgender Nennung "Bild: Sendeanstalt/Copyright". Andere Verwendungen nur nach vorheriger Absprache: ARTE-Bildredaktion, Silke Wšlk Tel.: +33 3 881 422 25, E-Mail: bildredaktion@arte.tv

Mais um filme premiado do cineasta tcheco Milos Forman, narra a história de um dos maiores gênios da música, Wolfgang Amadeus Mozart (Tom Hulce), a partir da memória de outro grande músico, Antonio Salieri (F. Murray Abraham). É um filme evidentemente muito ligado à música e tudo que a circunda, mas ao mesmo tempo é uma obra que mergulha profundamente na psique humana, investigando sentimentos profundamente complexos, como o ciúme, a inveja e a obsessão. Além disso, ainda reconstrói muito bem a Viena do século XVIII. Amadeus, portanto, é um filme sobre arte, genialidade e, sobretudo, natureza humana. Imperdível para quem pretende entender melhor aquilo que forma o homem.

 

DE VOLTA PARA O FUTURO (1985)

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Um dos clássicos da Sessão da Tarde, o filme de Robert Zemeckis marcou época e possui uma legião de fãs. Não é um filme que leva a grandes reflexões, mas entra na lista por ser indiscutivelmente um clássico e demonstrar que filmes que buscam o entretenimento não precisam ser rasos, sem qualquer preocupação com o roteiro e com a história que está sendo contada. A obra, assim, continua sendo bastante atual, já que possui uma história muito boa e muito bem contada, algo que todo filme deveria se prestar a fazer. Ademais, o filme influenciou o gênero, sendo considerado por muitos como o melhor filme sobre viagem no tempo já produzido.

 

OS BONS COMPANHEIROS (1990)

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Mais um do genial Martin Scorsese. O filme retrata o mundo da máfia e dos gângsteres nos Estados Unidos durante mais de duas décadas através da vida de Henry Hill (Ray Liotta), um garoto fascinado com o submundo do crime e que almeja ser um gângster. Acompanhando a ascensão de Henry pelo mundo da máfia, a trama nos mostra toda a estrutura que forma aquele ambiente. Seus códigos, sua ética, seus hábitos, o fascínio pelo poder, o jogo de interesses e a violência banal. Tanto a grandiosidade quanto a decadência desse universo são demonstradas de forma realista, aproximando o público da história. Com um ótimo roteiro e grandes atuações, Scorsese acertou em cheio ao construir uma obra que deixa claro o desejo e o fascínio que o mundo do crime representa, assim como, a violência e a destruição que ele possui.

 

FORREST GUMP (1994)

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Como não se sentir tocado com a história do menino do Alabama com QI abaixo do normal e que mesmo assim consegue ter uma vida repleta de belas histórias? O filme é extremamente existencialista e nos faz questionar o sentido da vida e o porquê de estarmos aqui. Sem se propor a dar respostas baratas, o filme trabalha muito mais no terreno das possibilidades e demonstra a importância de vivermos uma vida plena, já que a certeza que possuímos é a que estamos aqui. Com uma atuação irretocável de Tom Hanks, uma bela fotografia e uma grande direção, a obra do diretor Robert Zemeckis é perfeita ao propor reflexões filosóficas de um jeito extremamente puro e poético através do melhor contador de histórias do cinema.

 

PULP FICTION (1994)

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Tido por muitos como a obra-prima do cultuado Quentin Tarantino, o segundo filme do titio Tarantino tem uma estrutura bastante única, influenciando o modo de fazer cinema a partir de então. Com personagens complexos, apresentados por meio de uma narrativa não-linear, uma trilha sonora marcante e várias referências a cultura pop, a obra se tornou um clássico instantâneo. Mas o ponto alto do filme são os diálogos e a violência presente em toda a obra. Ambos são apresentados de forma banal e transmitem a própria banalidade da vida humana. Enigmático, o filme possui várias interpretações e mistérios que após mais de vinte anos ainda não foram revelados, mantendo o publicado cativo ao cinema Tarantinesco.

 

BÔNUS TRACK:

SEVEN (1995)

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Partindo de uma premissa básica de filmes policiais, ou seja, a busca por um serial killer, o filme quebra qualquer expectativa negativa de que seja mais um clichê. Com uma história bem construída, o filme se desenrola através do jovem e impulsivo David Mills (Brad Pitt) e do experiente e controlado William Somerset (Morgan Freeman) que investigam um psicopata (Kevin Spacey) que está fazendo uma série de assassinatos ligados aos sete pecados capitais. Além de possuir uma narrativa inteligente que surpreende o espectador a cada novo acontecimento, o filme traz debates filosóficos acerca da decadência da sociedade atual, citando, inclusive, Dante Alighieri e John Milton.  Com belas atuações, roteiro inteligente e ótima direção, Seven é um filme que debate problemas importantes sobre o homem e a sociedade contemporânea, o que é típico de Fincher, contando ainda com um dos finais mais surpreendentes da história do cinema.

 

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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