domingo, 11 de junho de 2017

Nossas emoções sucateadas

Por: Lucas S. Ferreira

post

Não sinta raiva é errado.

Não fique triste, você só vai piorar.

Não me fale dessas coisas, não vê que existem pessoas piores que você?

Quantas vezes você já ouviu essas sentenças para você mesmo ou para alguém? Ou quantas vezes você mesmo não disse isso a alguma pessoa?

Em que momento da sua vida você decidiu que existem emoções ou sentimentos errados?

Provavelmente nem se lembre mais, pois esse aprendizado já vem embutido naquilo que adquirimos em nossa realidade social desde que nascemos.

Nossas referências sociais nos colocam num mundo em que sofrer e principalmente falar sobre isso pode gerar desconforto, estresse e problemas, mais do que “aqueles que já temos”.

Não temos consciência disso até que chegamos ao momento em que nos vemos gritando por tudo, porque queremos ser ouvidos ou nos vemos comendo, bebendo e usando tudo porque queremos nos aliviar já que não podemos dizer nada. E ainda podemos nos ver naquele momento em que nos relacionamos com alguém não só pelo fato de amar, mas sim pelo fato de que buscamos um ser que desista de si mesmo para viver aquilo que não conseguimos com nossos pais.

Nossas emoções estão sucateadas. Aos pedaços… aos prantos.

Sofrendo porque não podem se dizer….

Porque não podem se expressar, e quando finalmente encontram coragem para sair dificilmente encontram quem quer ouvir.

Você quer ser ouvido?

Pois bem, eu também quero!

A psicologia cognitiva, dentro da Teoria do Esquema Emocional, aduz que precisamos ser validados, que ansiamos por ver que nossas emoções são honestas e puras e que principalmente que elas não são erradas. Precisamos de suporte e apoio para entendermos que não estamos chorando sozinhos e que nossas sensações incômodas existem na vida de todos aqueles que pisam no planeta.

Não estamos sozinhos em nossas decepções e frustrações.

E também existe algo muito importante para ser entendido:

Sua dor não vai durar para sempre!

Todos merecemos e podemos sentir o que sentimos.

Nossas tristezas e dores precisam ser vivenciadas e realizadas para uma completa existência.

Em que lugar lemos que não podemos sofrer e que, se tal sensação vem, devemos nos dopar porque somente a felicidade importa mesmo que fabricada?

Seja você mesmo o principal instrumento na sua mudança, e depois seja suporte na vida de outros. Aprendemos que podemos melhorar e que as coisas podem se modificar quando me prontifico a isso, aprendemos que ajudando eu sou ajudado porque vejo que não estou sozinho. E que mesmo que as minhas dores sejam maiores eu posso sobreviver.

Sinta o que você precisar, não se reprima em se expressar. Acredite que suas emoções são verdadeiras, mas não originais, pois todos também as possuímos, no entanto não as sentimos da mesma forma.

Porém elas estão aí e merecem ser sentidas.

Seja feliz também e não tenha vergonha de mostrar o quanto está satisfeito. Torne-se agradecido, sonhador, ambicioso, chorão.

Mas expresse-se.

Não se inutilize emocionalmente. Você é humano, todos somos.

Sentimos todos os dias.

Mas eu sinto muito se você acreditar que tudo merece ficar somente dentro de você…

Me desculpe, mas pelo menos eu sei que estou sentindo alguma coisa.

Abraços sempre.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on TumblrPin on PinterestEmail this to someone
Sobre o autor

Lucas S. Ferreira

Mineiro, Psicólogo por formação, escritor por insistência, desenhista por hobbie e pianista por não ter mais o que fazer!

COMENTÁRIOS

BUSCAR

facebook instagram twitter youtube

Tem uma sugestão?

Indique um post!

NEWSLETTER