domingo, 2 de julho de 2017

13 Documentários (BR) GENIAIS escondidos no YOUTUBE que você precisa VER

Por: Erick Morais

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O cinema é uma forma de investigar a história, recuperar memórias, investigar os meandros políticos, sociais e culturais. É, portanto, um elemento imprescindível na busca da compreensão do mundo que nos forma e que nos cerca. Sendo assim, selecionei 13 Documentários Brasileiros extremamente oportunos para pensar-nos enquanto sujeitos, acima de tudo, em um período de enorme crise. E o melhor, todos disponíveis no YouTube. Como não é possível contemplar todos, alguns ficaram de fora. Então, deixem nos comentários aqueles que para vocês deveriam fazer parte da lista.

 

JUSTIÇA (2004)

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Dirigido pela cineasta Maria Augusta Ramos, o documentário retrata o cotidiano de um Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e os diversos personagens que compõem esse cenário, desde juízes e desembargadores, passando por defensores públicos e até chegar aos réus. O filme, dessa forma, procura demonstrar a realidade da justiça brasileira, hipertrofiada, burocrática e sem oferecer grandes perspectivas de solução, seja para os operadores do direito, seja para os que dela necessitam ou são cobrados. Uma realidade muito consistente das nuances, complexidades, dificuldades e contradições do sistema jurídico brasileiro.

 

ENCONTRO COM MILTON SANTOS: O MUNDO GLOBALIZADO VISTO DO LADO DE CÁ (2006)

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Dirigido pelo cineasta carioca Sílvio Tendler, o documentário aborda a globalização a partir da perspectiva da periferia, isto é, do mundo subdesenvolvido ou como passou a ser chamado “em desenvolvimento”. Para discutir essa problemática, Tendler, entre uma cena e outra, bate um papo com o geógrafo Milton Santos, um dos intelectuais mais respeitados no que tange ao tema, demonstrando por meio da sua genialidade o que se esconde por trás das fábulas contadas pelo mundo “globalizado”.

 

PRO DIA NASCER FELIZ (2007)

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O filme do diretor João Jardim lança as lentes sobre a situação da educação no Brasil. Construído a partir de diversos perspectivas, desde o sertão Nordestino, passando pelas grandes favelas do Sudeste, até a elite paulistana, o documentário procura investigar a realidade da educação no Brasil inserida nas palavras e olhares dos sujeitos que participam diretamente do processo educacional: educadores e educandos. Fica nítido no filme que as diferenças entre as condições socioeducacionais oferecidas aos jovens, ainda que não determinantes, exercem grande força no caminho que eles trilham fora da escola, sendo, inclusive, um limitador ao desenvolvimento intelectual e humanístico de grande parte da população. O filme, assim, toca em um ponto sensível, procurando nos despertar para uma luta que tem sido perdida.

 

O ABORTO DOS OUTROS (2008)

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Escrito e dirigido por Carla Gallo, o documentário acompanha a história de várias mulheres, de diferentes idades, que em diferentes épocas e de distintos lugares da sociedade, passaram pelo processo do aborto. Com uma perspectiva muito ampla, o filme consegue trazer à tona de forma bastante profunda uma questão que ainda permanece como tabu na sociedade brasileira. Destacando desde a burocracia e a humilhação que muitas mulheres passam nos casos de aborto permitidos pela lei, como em casos de estupro, até o medo e o terror que outras passam nas clínicas clandestinas, o filme mostra que para além das perspectivas diversas que possam existir sobre o problema, o aborto é uma questão de saúde pública. Ademais, ele ainda evidencia a ausência da paternidade nesse processo, deixando a mulher com o ônus de ter que passar pelo processo sozinha, além de sofrer condenações morais por sua conduta. Um filme imprescindível para pensarmos a condição da mulher e de como a sociedade ainda se comporta hipocritamente ao lidar com vários problemas, ente eles, o aborto.

 

SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA (2009)

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Com roteiro e direção de Pedro Cezar, o filme é uma “desbiografia” do poeta das “desimportâncias”, Manoel de Barros. Construído de forma muito inventiva, o documentário procura mostrar a vida e a obra de Manoel de Barros, esmiuçando a beleza presente nas pequenezas e nas singelezas de um poeta que fazia das “ignoranças” obra de arte. O filme é uma ode à poesia da vida presente nas pequenas coisas, fazendo, portanto, o espectador olhar o óbvio e “transver” o mundo.

 

UTOPIA E BARBÁRIE (2009)

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Também dirigido por Sílvio Tendler, o documentário é uma obra de arte fruto de quase 20 anos de trabalho. Nessa empreitada, Tendler faz um mergulho histórico sobre a geração que nasceu após a segunda guerra mundial e, portanto, sobre todas as utopias que foram colocadas no pós-guerra, assim como, sobre todas as barbáries que aconteceram, inclusive ligadas a muitas utopias. Passando pela geração beat, pelo movimento hippie, pelas revoluções de 68, pelas ditaduras militares latino-americanas, pela catástrofe da URSS, pela guerra do Vietnã e por tantos outros momentos de sonho e destruição ao longo da segunda metade do século XX, o filme mostra o homem e a história em suas lutas e contradições, mas, apesar de mostrar que a barbárie tenha sobressaído ante as antigas utopias, ele aponta para novas utopias, afinal, enquanto o mundo precisar de humanidade, sempre será tempo de ter um novo horizonte a se buscar.

 

CIDADÃO BOILESEN (2009)

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Documentário produzido e dirigido por Chaim Litewski, narra a história de Henning Albert Boilesen, um empresário dinamarquês naturalizado brasileiro que dirigiu o grupo Ultra, da Ultragaz. O documentário demonstra a ligação do empresariado brasileiro com a ditadura civil-militar, financiando esta pelo “medo” da implantação de um sistema socialista no Brasil. A obra deixa claro que a ditadura não se realizaria sem a participação do empresariado, demonstrando a importância e a participação das grandes empresas nos anos de chumbo no Brasil, em que além de financiar a implantação do golpe militar de 1964, também financiaram a formação da Operação Bandeirante (OBAN), que iniciou a fase mais perversa da ditadura, em que as práticas de tortura ganharam contornos inimagináveis, originando o que viria a ser o DOI-CODI. A produção de Litewski é uma obra-prima do cinema nacional, muito bem construída e estruturada, é imprescindível para quem quer entender um pouco mais sobre a ditadura e descobrir a própria participação da sociedade civil na sua implantação.

 

O VENENO ESTÁ NA MESA I e II (2011/2014)

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O filme, mais um de Tendler, possui duas partes e a partir das inquietações do cineasta busca demonstrar e desvendar os segredos do agronegócio no Brasil. O documentário mostra a forma como o mercado de insumos agrícolas é monopolizado por pouquíssimas empresas, as dificuldades impostas aos agricultores que querem construir suas lavouras de maneira orgânica, sem uso, portanto de agrotóxicos e, acima de tudo, quão perigoso e maléfico para a saúde é o uso dos venenos aplicados na produção dos alimentos que chegam até as nossas mesas. Além disso, ele também aponta para caminhos, como o da agroecologia, evidenciando que é possível produzir de modo saudável, sem prejudicar a saúde das pessoas e do meio ambiente, ao mesmo tempo em que é totalmente acessível para a população, desmascarando um grande mito que existe em torno dos alimentos orgânicos. Em tempos de “carne fraca” é um documentário imprescindível para sabermos o que chega às nossas mesas.

 

ELENA (2012)

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Um filme sensível e poético, acho que essa é a melhor classificação para “Elena”. Escrito e dirigido por Petra Costa, o documentário é a busca de uma alma, do seu esplendor a sua queda, é a tentativa de encontrar uma memória e enfrentar sentimentos. No filme, Petra vai ao encontro de sua irmã, Elena, após 20 anos da sua morte, tentando descobrir o porquê de um espírito tão artístico ter sucumbido à tristeza e chegado ao fim. Com um ar melancólico e ao mesmo tempo cheio de poesia, “Elena” é uma viagem pela mente e pelos sentimentos de alguém que sofre e sente-se de tal modo desencaixado na vida que morrer torna-se uma opção melhor que a vida. Uma obra bela e interessante para pensarmos sobre os sentimentos que se escondem nas longitudes do humano e que mexem tanto no nosso ânimo pela vida em suas mais diversas faces.

 

O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2013)

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Dirigido por Camilo Tavares, que nasceu fora da terra de seus pais, em função do exílio, a que muitos foram acometidos na época da ditadura civil-militar, o documentário mostra as ações diretas do governo estadunidense na derrubada do governo de João Goulart e, consequentemente, na implantação do governo militar. Através de documentos e depoimentos, o filme demonstra de forma clarividente o modo como os Estados Unidos agiram por trás dos panos e foram determinantes não só na implantação, como na manutenção das ditaduras latino-americanas.

 

EU MAIOR (2013)

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O documentário, produção independente de André Melman e dos irmãos Fernando, Marco e Paulo Schultz, através de uma série de entrevistas com diversas pessoas: Rubem Alves, Mário Sergio Cortella, Monja Coen, Flávio Gikovate, Marcelo Gleiser, etc., investiga o que é a felicidade, onde se encontra e como podemos buscá-la. É um filme sensível e que nos leva à introspecção, fazendo-nos refletir sobre o que define algo que tanto buscamos e se na busca que tantas vezes empreendemos em relação à felicidade, não acabamos por nos afastar ainda mais de encontrá-la.

 

HOLOCAUSTO BRASILEIRO (2016)

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Baseado no livro homônimo da jornalista Daniela Arbex e com direção de Armando Mendz e da própria Arbex, o filme apresenta uma denúncia grave sobre um dos episódios mais negros (literalmente, inclusive) da nossa história: as oito décadas de desumanização apresentadas no Hospital Colônia na cidade de Barbacena em Minas Gerais. Com depoimentos de personagens que participaram de uma forma ou outra de um lugar que era equivalente a um campo de concentração, o filme consegue recriar toda a tortura e a degradação produzida na condição humana, causando no expectador uma enorme angústia junto com um sentimento que questiona o que há de gente em nós. Provocador, instigante e extremamente oportuno, o documentário nos leva a pensar sobre a forma como insistimos em tratar diversos problemas e como tendemos a segregar, desumanizar e banalizar o mal que cometemos contra sujeitos que compartilham da nossa condição humana. E é exatamente essa condição que esse filme-denúncia se dedica a mostrar.

 

OBSERVAR E ABSORVER – EDUARDO MARINHO (2016)

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Feito a partir de uma produção independente do jovem cineasta Junior SQL, o documentário acompanha a história de Eduardo Marinho, um sujeito bem-nascido, bem-educado, que no início da sua juventude decide abandonar o mundo de privilégios que possuía para descobrir o verdadeiro mundo, passando, inclusive, pela experiência de morar na rua. O filme, assim, analisa a forma como Marinho leva a sua vida, ganha o seu sustento, filosofa sobre a existência, ou seja, observa e absorve a realidade. Conhecido hoje na internet, o documentário traz a partir dos pensamentos do filósofo de rua, reflexões muito importantes e pontuais sobre a sociedade em que vivemos.

 

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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