quarta-feira, 5 de julho de 2017

O Conformismo do Brasil atual

Por: Guilherme Lima

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As vertentes da nossa política continuam fazendo das suas traquitanas e estripulias nada benfazejas ao país. Conchavos, subornos, acordos espúrios, a tradicional troca de favores em que virou a república brasileira parece não ter fim. A cada dia mais notícias e denúncias da podridão que infesta a política são manchetes em qualquer veículo de comunicação. Estamos vivenciando o momento em que a fadiga das máquinas nas engrenagens do Estado brasileiro atinge níveis alarmantes. Ao que parece, somos uma nação à deriva, explorada e abusada em prol de poucos a base de penalização da maioria da população.

Os acontecimentos e desenrolares de nossa política contem mais sacanagens que o mais sujo dos roteiros pornográficos. Em suma, está acontecendo neste momento, ao vivo e a cores para a nação, uma grande sacanagem com os bens públicos brasileiros. Como mesmo afirmou certo político corrupto em uma gravação, a putaria é “com supremo, com tudo”. Não passamos de meros fantoches nas mãos do balcão de negócios privados que a coisa pública se tornou no Brasil. São os mesmos discursos, antigas desculpas e justificativas para atos de corrupção, desvios de verbas e tantas outras medidas jurídicas, políticas e econômicas que servem somente a uma quadrilha pouco interessada em resolver as problemáticas nacionais.

Nada mais nada menos que a repetição de disco de vitrola arranhado, são as promessas de melhora dada pela classe política, proferindo na língua das cobras, um suave veneno embrulhado em retóricas de discurso demagógico. Entra governo, sai governo, o modelo permanece inalterado para se manter a “governabilidade” do país. Nunca antes neste país a afirmativa de que o congresso nacional é um “clube de picaretas com anel de doutor” fez tanto sentido. Reformas nas mais diversas áreas vitais para o desenvolvimento (trabalhista, da previdência) sendo votadas sem o mínimo de coerência e discussão, forçadas a toque de caixa por um governo que não se sustenta por si só, demonstram que estamos sendo governados por imbecis prestes a matar a galinha dos ovos de ouro chamada Brasil.

Em meio a isto tudo a população fraqueja, pois sente na carne a infelicidade de ver que este sistema decrépito parece não ter mais solução. As instâncias governamentais se digladiam em busca de uma supremacia sobre as demais, não pensando no bem-estar geral. Legislativo, Executivo e Judiciário são a mesma face de uma moeda da disputa de poder e controle sobre a máquina do Estado brasileiro a fim de obter benefícios para si. Cada qual usando os mais indecorosos artifícios para fazer prevalecer as vontades de sua panelinha. A população em si está anestesiada, não vê alternativa ou luz no fim do túnel do mar de lama em que se encontra a sociedade política brasileira. A solução parece ter se afogado neste Oceano de sujeira e com ela fora decretado a morte da esperança.

O cavaleiro da esperança agora é como os dragões que Dom Quixote combatia em sua imaginação, meras ilusões. A perspectiva de melhoria na percepção da maioria da população não existe. O sistema e seus mecanismos transpassam a sensação de estender seus tentáculos tão fortemente sobre nossas vontades, que tentar se desvencilhar de seu controle só causaria o estrangulamento. Votar, protestar, fazer piquetes e greves, tudo isto parece ineficaz. Alguns diriam que a frase de John Lennon de que “o sonho acabou” caberia aqui, mas estou pendendo mais para a fala de Cazuza: e as ilusões estão todas perdidas, os meus sonhos foram todos vendidos tão barato que eu nem acredito.

A sensação é de que nada resolverá, todos envoltos na conclusão de que a solução é baixar a cabeça, suportar o chicote no lombo e seguir tocando a vida, se alienando de tudo isto. O vírus do conformismo atingiu níveis de praga endêmica, espécie de peste negra incrustada no espírito da sociedade brasileira. Aceitamos sermos espoliados por um grupo de vilões tipicamente caricatos da História, Coronéis representantes de um Brasil arcaico que resiste e controla os ditames de nossa política. Infelizmente o Brasil dito profundo já está cansado e não sabe de onde tirar forças para contornar a situação.

É difícil angariar vontade e ânimo para passar por cima deste enorme desconforto e ambiente sem uma aparente perspectiva positiva. Mas a única ferramenta disponível ainda é a resistência, através de ações combinada com pensamento, canalizando e dando a fusão de ambas para uma rebeldia eficaz. Não uma rebeldia aqui e acolá, mas uma desobediência geral, para além da ideia civil ou cidadã, uma revolta também do indivíduo, capaz de transformar a realidade concreta em algo além de mudança de um terno engravatado por uma toga, ou vice e versa. O contínuo ainda é a História dos vencedores descritas em documentos oficiais, mas cabe aos vencidos contar sua História através do legado da resistência.

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Guilherme Lima

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