quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Educar é humanizar-se

Por: Erick Morais

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Paulo Freire dizia que “Educar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou sua construção”. Vista sob esse prisma, a educação não é apenas um meio de compreender o mundo, o que é importante, mas um modo de transformar o mundo, mais importante ainda. Embora esse fato seja inegável, ainda nos encontramos muito distantes dessa perspectiva apresentada por Freire, uma vez que a permanente ignorância do povo serve aos interesses de uma elite que tem como foco principal a manutenção da população como massa de manobra.

Como a situação no campo educacional ainda se encontra extremamente difícil, é preciso que haja constantes problematizações acerca do tema, com o intuito de que possa haver um despertar do próprio oprimido para com a sua condição. Dessa maneira, a própria problematização já é um ato educacional, pois toda vez que o sujeito consegue instigar o seu “eu filosófico” e se perguntar sobre o porquê das coisas, ele se humaniza e, portanto, a educação se faz presente.

Dito isso, há de se considerar que, acima de qualquer outra coisa, educar é humanizar-se. E coloco assim, porque ela acontece em sentido duplo, pois para todo conhecimento que se ensina, há outro conhecimento que se aprende, já que: “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Desse modo, o aprender ganha um sentido muito mais amplo e reflexivo do que o imposto em grau hierárquico e normativo que possuímos, posto que a educação permite que a pessoa se compreenda enquanto sujeito individual e social ao mesmo tempo; sendo parte indissociável de uma sociedade, na qual possui direitos e deveres.

Ao entender a educação como um processo humanizador de mão dupla, cria-se as condições necessárias para uma análise verdadeira da situação daquele que se encontra em condição de vulnerabilidade, pois estando privado, inclusive da ferramenta de comunicação (leitura e fala), o sujeito não possui condições para questionar a sua situação, tampouco, modificá-la e, assim, deixar de ser um ser “marginal” para ser um ser social.

Dessa forma, a educação com caráter humanizador age como uma inserção do indivíduo no mundo, que passa a se entender como um ser capaz de aprender, participar e transformar. Aprende, porque percebe que é capaz de criar o seu próprio pensamento, já que é um ser pensante por natureza e possui todos os recursos em potencial para isso. Participa, porque se entende como um ser que vive em coletividade e, assim, deve se compreender também a partir do outro, com todas as diferenças e idiossincrasias que todos possuem. E, por fim, transforma, porque ao refletir criticamente sobre a sua condição, a do outro e a do mundo, interações e conexões são formadas, desencadeando reações que modificam paulatinamente a estrutura social.

A educação, nesse sentido, é um elemento que desenvolve não só o saber, mas também o enxergar, curando-nos da miopia que nos impede de observar o tecido social em sua completude. É dentro dessa perspectiva que se aprende ao ensinar, porque para todo despertar que se promove pelo educar, há uma aprendizagem de vivências e desenvolvimento de questionamentos que passamos a fazer, de modo que, neste momento, também despertamos. Ou seja, passamos a enxergar o mundo com novos olhos e, consequentemente, somos educados por um saber que mais do que técnica, carrega humanidade.

Sendo assim, é necessário que busquemos a educação como uma forma de humanização, como um meio de desenvolver a nossa consciência individual e coletiva, imbricada com os “nós” que nos forma, pois quando entendemos que a educação deve nos humanizar, ela se estende para além das salas de aula, ocupa as ruas, as relações e as pessoas em seus pensamentos e ações, que estruturados a partir de parâmetros humanos, serão inclusivos, e não, excludentes.

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Sobre o autor

Erick Morais

Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

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