terça-feira, 15 de agosto de 2017

Sobre Conexões, Vidas e Mídias

Por: Elienae Maria Anjos

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“Ninguém mais sai de casa. Ninguém faz sexo. A Internet é a camisinha suprema.”
The Net
Esta frase foi declarada por uma voz robótica em um chat bem arcaico, assim como o computador que a personagem de Sandra Bullok, Angela Bennett, uma analista de sistema freelance, usava durante o filme The Net (1995), que acredito eu, muitos já devem ter assistido, por isso, não quero iniciar um spoiler sem sentido sobre um enredo que não tem mais mistérios a desvendar. Mas, relembrando esse filme, pensei em escrever sobre a mídia e seus efeitos benéficos. Benéficos? Of course! Sei que muito falo, escrevo e também vejo pelo mundo, o quanto de poeira é sacudido diariamente por sobre as conversas carregadas de verdades, muitas até negativas sobre as tecnologias e suas mídias, e não são poucas, mas, se ainda há alguma dúvida sobre a destruição que encontramos facilmente no crescimento tecnológico virtual, cito a maravilhosa série Black Mirror, que mostra de forma tão clara o lado obscuro que escolhemos vivenciar, permitindo que máquinas tenham o controle sobre nossas vidas e escolhas… bem, deixemos essa conversa para outra ocasião, pois esse é um assunto que nunca terá fim.
“__ Computador é a sua vida, certo?
  __ Sim, é o esconderijo perfeito.”
 The Net
Ao escrever sobre as mídias estou também lhes contando sobre minha caverna, aliás, ela é bastante semelhante à que Platão escreveu, pois tem muitas semelhanças com o lugar em que me escondi por alguns anos. Mas, desde 2000 descobri através do meu primeiro computador, muito mais que um escape da rotina repetitiva que vivia dentro de casa. Conectado a uma simples linha telefônica, (vale lembrar que o pulso mais barato que poderíamos acessar sem medo, era a partir de 00h) aquela máquina havia se tornado meu refúgio “perfeito”. O clarão de fora da caverna (a luz do monitor de 14 polegadas) aguçava minha curiosidade e refletia um mundo novo, permitindo que dentro do meu espaço, eu pudesse acessar outros universos e pessoas, por isso lembrei-me então de Angela Bennett e seus pontos em comum comigo: solidão-sozinha (posto que podemos ser solitários acompanhados), silêncio, pensamentos, esconderijo e distância geográfica das pessoas.
“A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo, cativa-me!” (O Pequeno Príncipe)
Hoje em dia apesar do repúdio que tenho por certos usos nas redes sociais e nos inovadores aplicativos, jamais poderei apagar do meu HD sentimental, que foi por meio de um computadorzinho conectado à diversos sites, homepage, redes sociais (alguns já extintos: Orkut, Gazzag…) além dos inúmeros chats e programinhas de bate papo, (Icq, Yahoo Messenger, Msn Messenger) que eu, afastada do que há fora da caverna pessoal, experimentava por essas invenções, um inovador e atualizado horizonte, se erguendo diante de minha visão, mesmo que virtual, um universo além da minha realidade.
Por esse meio, cresci também profissionalmente e artisticamente, compartilhando e também me doando, descobrindo muitas alternativas para sobreviver aos monstros interiores e a ignorância do não saber e não se envolver com as atualidades dos tempos modernos. Com uma vida virtual navegando pelas plataformas, muitas metamorfoses foram se desenvolvendo em mim. Passei a não enxergar mais a vida como borrões disformes fora do meu espaço de visão… A luz que havia lá fora, também passou a iluminar a minha mente.
Conexões, Vidas e Mídias
Relembrando a frase inicial do texto, acredito que hoje, em 2017, 22 anos depois do lançamento do filme, ainda há muitas pessoas que não saem de casa, por motivos que não nos convêm perscrutar, e por meio de uma conexão atualizada, o Wi-Fi, enriquecem o tempo com leituras de ebooks ou escritos em blogs, WhatsApp, Telegram, serviços freelance, entre outras coisas, tendo nessa rotina uma válvula, um socorro para não continuar enfadado à uma vida caseira anticontato, mesmo que esse seja somente virtual.
Sem a existência da tecnologia, das muitas plataformas e dos cabos de conexão, eu não teria em meu deserto um céu totalmente estrelado por Thulios, Djhons, Veruscas, Pattys, Lukas, Keilas, Lulicos, Jaques, Debs, Nathys e Patys iluminando minha vida e o visor do meu smartphone, notebook e tablet diariamente. Por meio de toques sensíveis, nossa vida se constrói mediante aos muitos balões de textos, áudios e vídeos, compartilhando reciprocidades, profundidades e continuidades de uma história nada convencional, que desfruta um novo caminho para viver as sutilezas da existência.
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Sobre o autor

Elienae Maria Anjos

Uma criança-mulher que não quer deixar de crescer na sensibilidade. Que brinca com seus lápis e tintas nas telas palpáveis e visionárias do emocional. Que aprendeu a escrever nos papéis virtuais o que só o diferente entende. Amiga dos livros físicos e humanos. Amante dos pensamentos. Eterna admiradora da Sétima Arte. Apaixonada por lágrimas e sorrisos. Mãe de cinco gatos. Enfim, habito dentro do refúgio que há em minhas escolhas e em tudo o que escrevo, que vai além do meu infinito, mas, em minha varanda emocional há um espaço para quem queira se aproximar...

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