segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O partido das ilusões

Por: Alberto Silva

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Convenção Nacional do Partido Democrata (EUA, 1980). O grito das moças que seguram os cartazes é demonstração da força da política enquanto projeto de transformação nos imaginários.

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Tiny, Halloween, Seattle, 1983

Desejo um partido, que me encha de esperanças acerca do futuro. Que me diga que nada do que ocorre todos os dias está acontecendo. Que me faça acreditar naquela morta, mas que não deveria estar, esperança de um povo. Povo perdido em meio às tergiversações e a má fé que rondam os ares e deixam as almas absortas. Quero um partido para chamar de meu, que tenha bandeira cor vermelha ou carmim para que eu levante e inspire a todos que me cercam, com seu ideal maior, de luta, de glória, de emancipação. Um partido com cor e sabor de algodão doce. Um partido feito por homens, mulheres, terceiros. Que me faça acordar de manhã e sonhar que as ruas sujas estarão limpas, que as árvores que foram derrubadas estarão reerguidas, que os caminhos tornados perigosos estejam seguros. Um partido que me dê as mãos e caminhe comigo até a infinita highway.

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Vejo o outro desacreditado, me resta perguntar o porquê. Ele se fechou. Ele se resguardou. Ele se auto açoitou. Em certa medida, pensa em tirar a vida. É a imagem viva do sujeito privado, das emoções, dos medos, da coletividade. Tão difícil é se sentir parte de um grupo hoje. O aperfeiçoamento pessoal, aparentemente prioritário, tomou conta de ruas e esquinas. Tamanho é o temor da transformação. Melindrados pela ordem, que satisfaz os mais incautos, os mais cultos, os orgânicos, os tóxicos. Satisfaz a generalidade que pouco sabe o que quer, no fundo, no mundo. Sabe o que sonha, mas sonhos, deixa eu te contar, são apenas contos. O que mora na minha mente, na minha filosofia, não necessariamente mora nos vultos dos meus olhos. O fantasma é uma lembrança de um tempo que foi; foi, deixou passagem e saudade, mas não voltou. Cadê você? Onde foi viver? Fantasma!

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Desperto no leito, vejo o sol. São os reflexos luminosos que me fazem desejar intensamente um partido alto. Baixo não dá, não supre. Ontologicamente falando, la fetê est le prince. Quem não anseia fazer parte de um, carregar no colo, nem posso dizer que bom sujeito não é, similar àquele que repudia o samba; passa de mau sujeito, é outra coisa, bem pior que isso. Vive ou vegeta, afinal, politicamente. Repudia as formas sociais de produção – decerto não é má a estória – contudo, e paulatinamente, o problema não termina. Tem asco do que ocorre, daquilo que se passa. No seu entorno, só existe o vento. No meu não. Existe gente por essas bandas. E eu não as desvalorizo. Por isso continuo insistindo e resistindo. Crendo como na Virgem Maria, de que um dia, um partido vai bater na minha porta e me deixar um lindo presente.

 

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Sobre o autor

Alberto Silva

Alberto Luís Araújo Silva Filho. Graduando em Ciência Política pela Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo de Estudos em Teoria Política Contemporânea (DOXA), vinculado ao Grupo de Pesquisas sobre Instituições e Políticas Públicas (CNPq). Além de amante da ciência política, é também apaixonado por sociologia, cinema e literatura. Colaborador semanal do Genialmente Louco.

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