quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Dinheiro fácil?

Por: Talita Dantas

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Um dia comum na rotina de uma agente de polícia. Acordei às 4 da manhã, para chegar na DP às 5 e, às 6, invadir a casa de um traficante. Mandado de busca pra cumprir. Quando anunciamos nossa presença, já arrebentando o cadeado do portão, o “gato” tentou pular o telhado. Empreitada sem êxito. Um monte de canas armados até os dentes o impediram.

Eu já havia entrado noutros locais, mas esta foi especial. Era uma casa na periferia. Um andar apenas. Portão branco, parede externa no grafiato cor de areia, detalhes das janelas brancos, combinando com o portão. Olhando de fora, eu diria que uma família de classe média padrão morava ali. Na sala, sofá, tapete, mesa de jantar, uma árvore de natal, fotos de família, brinquedos de criança…

Éramos uma equipe grande e nos espalhamos feito água, ocupando todos os cômodos, enquanto literalmente revirávamos tudo. Num primeiro momento, ignorei os quartos e percorri o pequeno corredor que separava a sala da cozinha. Não perdia em nada praquelas das revistas de decoração, com as quais eu — como alguém que tem a gastronomia como hobby — muito costumo sonhar. Mas o que mais me chamou a atenção mesmo foi o fato de que ali estavam praticamente todos os lançamentos da Polishop.

Um desavisado poderia confundir com uma loja, dessas tipo a Tok Stok, em que tudo está à venda, mas os ambientes são montados de modo a parecer a nossa casa (confesso que gosto de ir à Tok Stok ou à Leroy Merlin ficar brincando de criar novos ambientes na minha cabeça — como diria a Luna de “O filme da minha vida”, imaginar é das coisas que mais gosto de fazer).

Fiquei ali parada um tempo, olhando aqueles utensílios, enquanto minhas colegas jogavam tudo o que tinha dentro dos armários pro lado de fora. Nesse momento, a única coisa que vinha à minha cabeça era: por que alguém arrisca a própria liberdade, para comprar utensílios da Polishop?

Saí do mundo próprio e fui procurar algum lugar em que pudesse ser útil na arte de zonear a casa alheia. Entrei no quarto do casal, onde duas colegas também mostravam certo espanto com a quantidade de roupas femininas de grifes caras, muitas delas ainda com etiquetas, que saiam de dentro dos dois armários de madeira, os quais ficavam dispostos paralelamente à cama queen size. Certamente, o guarda-roupas dela dava uns três do meu.

Quando eu entrei no quarto da criança, ele já estava todo revirado. Brinquedos e livros jogados pelo chão e um beliche bagunçado. De lá, fui para a garagem. Deve haver algo de inconsciente na escolha das mulheres e dos homens por onde revistar, já que ali me deparei com os colegas homens vasculhando dois carros populares. Isso também me causou certo estranhamento. Roupas de grife, lançamentos da Polishop e carros populares, numa casinha jeitosa no bairro mais violento da cidade. Uma aparente incoerência, talvez.

Estávamos partindo. Levaríamos o sujeito preso. Não encontramos nada ali, mas, além daquele, outros quatro mandados estavam sendo cumpridos simultaneamente, noutros “pontos de apoio operacional”, já há muito vigiados e relacionados ao rapaz. Em algum deles, encontraram o flagrante.

A esposa só chorava e o filho estampava ódio no olhar. Eu sabia que aquele ódio não era por mim. Era pelo que eu representava naquele momento, a mão repressora do Estado, a qual levava detido não um traficante, mas o pai dele, que, a julgar pelas aparências, cercava o menino de amor, à sua maneira (sim, gente, traficante também tem sentimento — eles são, tipo, seres humanos como todo o resto).

Mesmo diante do olhar fulminante do garoto, com o coração repleto de compaixão, senti-me na obrigação de dizer algo, muito embora achasse que ele não ouviria absolutamente nada. “Estuda! Pra não ter que passar por isso”. Foi só o que me ocorreu dizer. Intimamente, fiz uma oração. “Que algo dentro de ti te faça ver que não é preciso ter ‘o azul, o vermelho, o estoque e a modelo’”.

Não sei que fim teve o gerente do tráfico que prendemos aquele dia. Esta seria uma constante com que eu teria tido de me acostumar se tivesse escolhido continuar policial, não saber o fim das coisas. Ao menos foi assim que me alertou um colega quando me mostrei insatisfeita: “você está querendo ver o processo todo e aqui a gente cuida só da nossa parte”. Talvez não seja assim noutros lugares.

Acredito que ainda esteja preso, a julgar pelas circunstâncias em que foi detido e a rigidez da lei de drogas, mas, de fato, não tenho como saber, já que, apesar da riqueza de detalhes com que me lembro do fato, o nome e o vulgo (mais importante que o nome nesse meio, no qual mais comumente conhecemos os outros pelos apelidos) me são totalmente alheios.

Apesar disso, trago comigo o olhar daquele menino e a audácia daquele homem. A bem da verdade, eu não o conheço. Não conheço senão a imagem que construí dele, levando em conta aquele contexto social, em que nitidamente a presença positiva do Estado é muito inferior àquela que vejo em bairros nobres, como o Lago ou Asa Sul, quer na conservação das ruas, quer na presença da PM, na saúde ou na educação.

Pra mim, aquele era só um homem tentando sobreviver e dar o que, bombardeado pela mídia, julgou ser o melhor pra sua família. Infelizmente, enganaram-no dizendo que aquele era um dinheiro fácil.

“Dinheiro fácil” é uma expressão que reflete o oposto de sua literalidade. É comumente utilizada para designar o dinheiro proveniente de atividades criminosas. A bem da honestidade, nunca vi dinheiro tão difícil quanto aquele a que a expressão se refere (socialmente falando, temos por hábito ser bem “flexíveis” quanto ao classificar das coisas como fáceis ou difíceis — “mulher de vida fácil” é outra expressão que, pra mim, beira o surreal).

Antes de ver Steven Levitt, explanando o resultado de sua pesquisa sobre a análise da economia do crack, eu já não enxergava tanta distinção entre tráfico e qualquer outro ato de comércio. Quer dizer, as habilidades necessárias a um “bom” traficante, leia-se, aquele que obtém lucro na empreitada, são as mesmas necessárias a qualquer outro empreendedor.

Você pode escolher montar um negócio lícito ou ilícito. Não necessariamente o fato de ser lícito implica ser bom para a sociedade, logo, não havemos de distinguir por aqui, como simploriamente se costuma fazer. Basicamente a principal diferença é o risco: num você pode ser preso, no outro o Estado vai engolir boa parte dos frutos do seu trabalho, dificultando sobremaneira as chances de prosperidade. Mas de que vale mesmo o dinheiro se você estiver no “inferno de Dante” (expressão utilizada pelo Ministro Barroso para definir o sistema carcerário brasileiro)?

Corroborando a ideia de que a economia do tráfico não se distingue muito do capitalismo selvagem em que todos estamos imersos (com a ressalva do risco do negócio ser diferenciado), Levitt desmistifica a ideia de que a vida de um traficante no auge da epidemia de cocaína e crack é cheia de glamour, drogas, armas, mulheres e joias.

Depois de 10 anos de pesquisa nos EUA, Levitt e Suddar descortinaram a economia do tráfico, a qual, segundo eles, se assemelha em grande medida à do McDonald’s. Não apenas no que tange à hierarquia entre os funcionários, mas à dificuldade de ascensão na carreira.

O filme “Fome de Poder” descreve a trajetória de Ray Kroc, o responsável por levar, com métodos pouco ortodoxos, o McDonald’s à estatura gigante que possui hoje. Ele é o topo da pirâmide e não dá pra imaginar que ninguém abaixo dele venha a chegar aonde ele está. Não “fazendo carreira” no McDonald’s. Há a casta do meio, os donos de franquia, que ganham relativamente bem, mas nem chegam perto de quem está no topo. E há a base, os gerentes e atendentes, os “funcionários do mês”.

Com o tráfico é a mesma coisa. A grande maioria são soldados, atendentes que têm pouca ou nenhuma chance de se tornarem gerentes regionais (ou donos de franquia). Com o agravante de que, trabalhando no McDonald’s, ninguém vai atirar em você. Segundo Levitt:

“…a taxa de mortes — sem contar a taxa de pessoas detidas, enviadas para prisão, feridas — na nossa amostra era 7% por pessoa por ano. Se você está numa gangue por quatro anos, a taxa aumenta para 25%. E isso é bastante significativo.

Então apenas para comparar, vamos pensar em outras maneiras de vida que você imagina serem extremamente arriscadas. Vamos imaginar que você seja um assassino que foi condenado por assassinato e enviado para o corredor da morte. No final, as taxas de morte do corredor da morte — por todas as causas, incluindo execução — 2% ao ano. (Risos) Então é bem mais seguro estar no corredor da morte do que vender drogas nas ruas”.

É contra esses meros atendentes que a sociedade normalmente arremessa seu ódio. Os donos dos jatinhos que movimentam o topo da pirâmide via de regra passam incólumes.

Outro ponto de suma relevância na arguição de Levitt refere-se aos motivos por que os jovens se arriscam nesses postos de trabalho os quais se mostram tão perigosos quanto a zona de guerra do Iraque: “eles foram enganados pela história”. Tão enganados, no entendimento do orador, quanto os advogados juniores que, contratados pelos escritórios de advocacia, dão o sangue na fase inicial de carreira, achando que um dia podem vir a se tornar sócios… e esse dia nunca chega.

Nesse sentido, a fala de Levitt se restringe à questão financeira, isto é, traficavam porque queriam dinheiro. E aqui eu volto à cozinha Polishop. Dinheiro pra quê? Em última instância, queremos ser felizes. Queremos dinheiro, porque somos levados a acreditar que o seremos se tivermos o último lançamento do Iphone, a bolsa Louis Vuitton, a moto Harley, o tênis Nike.

E acreditamos nisso porque nos bombardeiam com essas ideias o tempo todo. A nós todos. Aos que podem comprar e fazem questão de se distinguir porque o podem e se sentem melhores que os demais por isso. Aos que, podendo ou não, não dão ou dão importância mínima a tais questões. E àqueles que não podem e se importam por não poder. Afinal de contas, se ser feliz é ter coisas, “por que eu não posso feliz”?

“Inconscientemente vem na minha mente inteira

Na loja de tênis o olhar do parceiro feliz

De poder comprar o azul, o vermelho

O balcão, o espelho

O estoque, a modelo, não importa” (Racionais Mc’s)

Em sua maioria esmagadora, as pessoas que eu via no crime, no curto período em que trabalhei na polícia, eram pessoas desassistidas pelo Estado, pessoas que tinham pouca ou nenhuma chance de ascensão social pelas vias “meritocráticas”. Ensino público precário, saúde precária, limpeza urbana precária.

Os pais, como a sociedade tende a perpetuar desigualdades, muitas das vezes, já envolvidos em problemas como alcoolismo, crime e abusos de toda ordem. Penso neles e imediatamente me lembro da minha professora de políticas públicas na faculdade: “é preciso um meio de anestesiar essa existência insuportável”.

Difícil imaginar como alguém nessas circunstâncias resiste à falácia do “dinheiro fácil”, quando o tráfico é a mais próxima mão que se estende. Difícil cogitar pensar em valores, princípios, quando tudo o que se estampa à sua frente é uma série de injustiças. Difícil imaginar como essas pessoas podem desenvolver maturidade emocional para lidar com as circunstâncias se, para isso, nem quem tem educação de qualidade costuma ser educado, quem dirá…

O menino de olhos raivosos me marcou, assim como me marcou um outro adolescente que abordamos. Muitas vezes, essa é a hora e a voz do Estado que se faz mais presente (quando não é a única forma de presença estatal): “entra na caçamba, vagabundo”! Já na delegacia, um mínimo de tratamento digno e ele abriu o coração enquanto narrava circunstâncias de vida complicadas: “tia, eu sinto muita raiva”. Eu também sentiria. Eu também senti.

“Do rio que tudo arrasta, diz-se violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertolt Brecht)

Muitas foram as casas em que, quando fui entregar intimações, entrei rezando para que a menina de 12 não ficasse grávida dois anos depois e para que o menino de 9 não fosse pra boca no mesmo período. Todos temos a necessidade de pertencer. E quando a regra na sociedade que nos cerca é essa, difícil não seguir o padrão. Mais difícil ainda cogitar que o nosso modelo de encarceramento desumano será capaz de contribuir para alguma melhora social.

Como bem recorda Charles Leadbeater, no TED intitulado: “Educação Inovadora nas favelas”, a sua perspectiva determina tudo que você vê. Nesse sentido, a questão das desigualdades sociais, bem como a forma de senti-las e percebê-las também perpassa a questão das perspectivas. A exemplo disso, Leadbeater menciona Juanderson, adolescente “prodígio” do Morro do Macaco que, aos 16 anos já tinha ascendido ao posto de “dono de franquia”:

“Juanderson. Aos 14 anos, assim como acontece com muitos de 14 anos no sistema educacional do Brasil, largou os estudos. Era chato. E Juanderson, ao invés disso, foi atrás de algo que lhe deu oportunidade e esperança onde ele morava, que era o tráfico de drogas. E aos 16 anos, com uma promoção rápida, ele estava controlando o tráfico de drogas em 10 favelas [Juanderson é, sem dúvida, um ponto fora da curva]. Ele ganhava mais de 200.000 dólares por semana. Ele empregava 200 pessoas. Ele certamente morreria antes de completar 25 anos. E por sorte, ele conheceu esse cara, que é Rodrigo Baggio, dono do primeiro laptop que apareceu no Brasil. Em 1994, Rodrigo começou algo chamado CDI, que pegava computadores doados por empresas, colocava em centros comunitários nas favelas e montava lugares como esse. O que mexeu com a cabeça de Juanderson foi a tecnologia que fazia o aprendizado ser divertido e acessível”.

O que Leadbeater propõe é uma mudança radical no modelo educacional que vivemos. Mudança como a liderada por Sugata Mitra, que mostra como as crianças ensinam a si mesmas. Em breve síntese, Mitra demonstrou a prescindibilidade de um processo educacional engessado, enfadonho e desgastante, ao realizar um experimento que culminou na conclusão de que crianças, dada a sua natural curiosidade e criatividade, são capazes de efetivamente aprendem sozinhas se as deixarmos.

Com base nas conclusões de seus estudos – que, em linhas gerais, adveio do fornecimento de computadores a crianças de áreas bastante pobres da índia, para que pudessem explorar e descobrir como a máquina funcionava, e da observação do processo de aprendizado delas – Mitra propôs um modelo de Escola em nuvem — Sugata Mitra: Build a School in the Cloud. Trata-se de um Ambiente de aprendizado auto-organizado em que as crianças passam ao papel de construtoras do próprio saber:

“Se você permitir que o processo educacional se auto-organize, o aprendizado surge. Não se trata de fazer o aprendizado acontecer, mas de deixar que ele aconteça. O professor coloca o processo em movimento e então se afasta maravilhado e observa o aprendizado acontecer. Acho que é o que isso tudo [essa pesquisa] está mostrando”.

No caso de Juanderson, a descoberta do prazer de aprender, a possibilidade de empregar suas forças no processo de obtenção de novos conhecimentos, com curiosidade, criatividade e autonomia significou o engajamento, o interesse necessário para, entre a escola e as drogas (e aqui estão contidos dinheiro, poder e adrenalina), fazê-lo optar por aquela.

“Tempo pra pensar, quer parar

Que cê quer?

Viver pouco como um rei ou muito, como um Zé?

Às vezes eu acho que todo preto como eu

Só quer um terreno no mato, só seu

Sem luxo, descalço, nadar num riacho

Sem fome, pegando as frutas no cacho” (Racionais Mc’s)

Martin Seligman, considerado o pai da psicologia positiva, distingue as vidas prazerosa, engajada e com significado. A prazerosa, consistente em viver o máximo de emoções positivas possíveis, guarda relação com o fator genético e tem como problema o fato de que nos acostumamos rapidamente às emoções — razão porque a sexta colherada num pote de sorvete não tem a mesma carga de prazer que a primeira.

A vida engajada, por sua vez, tem a ver com o grau de imersão que experimentamos ao realizar uma tarefa, com estarmos 100% focados, fazendo uso das nossas forças, dos nossos talentos. Desse modo, ainda que não tenhamos sido contemplados com uma carga genética favorável às experiências prazerosas, podemos encontrar um alto grau de satisfação com a existência a partir da vida engajada (sem a necessidade de anestesiá-la, como apregoava a minha ex-professora).

Além das vidas prazerosa e engajada, como a mais poderosa das três, no que se refere ao potencial de elevar os níveis de felicidade, Martin Seligman aponta a vida com significado. “Esta é a mais venerável das felicidades, tradicionalmente. E significado nesta visão consiste em — paralelamente com a fluidez  [a vida engajada]— saber quais são seus pontos fortes, e usá-los para pertencer a e em serviço de algo maior que você”.

Os estudos de Seligman apontam para o fato de que dinheiro e consumo influenciam a felicidade, mas apenas até determinado nível. Além disso, as verdinhas sozinhas não são suficientes para que alcancemos a felicidade autêntica, assim entendida não como o estado constante de euforia, mas como satisfação e bem-estar com a vida. Noutras palavras, precisamos de dinheiro e de bens materiais até um limite que nos permita satisfazer nossas necessidades — a partir daí, o acréscimo material não influencia significativamente na felicidade (conquanto possa servir para alimentar o sistema de recompensas, tal qual o fazem as drogas, proporcionando um nível de prazer temporário e viciante).

De acordo com Seligman, o bem-estar se traduz no acrônimo PERMA: Positive emotions (emoções positivas); Engagement (engajamento); Relações Positivas; Meaning (significado ou propósito) e Accomplishment (realizações).

Ou seja, longe de apenas consumo, a felicidade está vinculada à possibilidade de externalizar nossas forças e talentos, de nutrirmos relações saudáveis e de sentirmo-nos engajados, imersos, conectados com nossas atividades.

nossos resultados nos surpreenderam, mas eles foram o oposto do que pensávamos. Acontece que a busca pelo prazer não tem quase nenhuma contribuição para a satisfação com a vida. A busca por sentido é a mais forte. A busca de envolvimento também é muito forte. Onde o prazer importa, é quando você tem tanto envolvimento quanto significado, aí o prazer é a cereja com chantily. Isto quer dizer que a vida completa, a soma é maior que as partes se você tem todas as três” Seligman

Ocorre que não somos educados para isso. Ao contrário. Somos o tempo inteiro influenciados ao consumo e nada estimulados a compreender nossas emoções, a lidar positivamente com conflitos, a dialogar, a compreender, a nutrir laços saudáveis, calcados na autoaceitação, na compaixão e na empatia. Somos impelidos a perseguir uma fantasia de sucesso padronizada, como se todos tivéssemos as mesmas forças e os mesmos talentos. Somos convencidos a acreditar que precisamos de uma série de bobagens de que não precisamos. E se você acha que isso é só teoria da conspiração, precisa dar uma estudadinha em algumas técnicas de marketing, as quais, em si mesmas, não são boas nem ruins, mas que podem servir para manipular até o capeta.

Precisamos mudar o discurso. Precisamos, como Baggio, reverter o jogo, criar oportunidades que desfaçam não só o mito do dinheiro fácil, mas também a ideia de que encher-nos de roupas de marcas, um estoque de tênis, o último lançamento do Iphone ou utensílios da Polishop são essenciais à felicidade. Precisamos estimular nas nossas crianças e adolescentes o gosto pelo aprender, sobre o mundo e sobre si mesmos, pela descoberta e utilização de suas forças, para que possam verdadeiramente se sentir plenos. Precisamos resgatar um senso de comum unidade e de colaboração que nos faça ver um ao outro como próximos, como semelhantes, dignos de compaixão, em vez de como inimigos.

Como diria Raul, “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Pode não ser uma realidade acabada, mas todos esses caras que eu citei acima estão não só sonhando, mas se movendo para construí-la. Os avanços, você pode ver minimamente nos resultados das pesquisas deles. Agora, imagine. Imagine all the people”. Imagina você fazendo alguma coisa pra contribuir com a humanidade de que faz parte.

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Sobre o autor

Talita Dantas

Apaixonada por desenvolvimento humano, filosofia e escrita criativa. Advogada, coach e mediadora de conflitos, acredita verdadeiramente no diálogo como via para construção de uma sociedade mais livre, justa, solidária e colaborativa. Define a si mesma como uma flor no asfalto.

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