segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Dos Sentimentos Persistentes

Por: Guilherme Lima

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Sentimentos que persistem que já não voltam mais, como lidar com estes, digamos, constantes espinhosos dos nossos rotineiros dias? A que ponto suportamos veladamente, guardados dentro de nossas armaduras, transparecendo ao exterior risos e brincadeiras, quando na verdade nosso papel é o de palhaço de triste figura? Por essas idas e vindas de pensar e amar, as respostas e questionamentos vão ser inúmeras, mas a variável de estas serem as corretas para sua situação é difícil de ser encaixada na realidade de efervescência emocional.

Ao fundo a velha esperança vigora como o ultimo bote de salvamento de uma Nau a deriva em um turbulento Oceano de emoções, vagando a esmo sem um vento para fazer as velas seguirem em alguma rota redentora. Nestes tempos onde cada individuo é uma ilha sem ligação com o continente, seria a ideia de que primeiro precisamos nos perder nos devaneios de uma viagem, imersa em novos acontecimentos, para finalmente nos encontrarmos? ou quiçá a valentia de uma teimosia de lutar por aquilo que mais preza e ama valha a pena em sua efêmera História de vida?

Busca eterna de alguém que não se conforma estar só, ou que pareça que a solitude de estar isolado da contemplação de um olhar de companheirismo cálido. A sensação de estar sendo importante e se importar com algo nos remete e traz uma das melhores sensações que um ser humano possa vir a ter: apaziguamento. Estar não feliz, alegre, triste, raivoso, ansioso, animado, mas sim estável, onde suas ideias, pensamentos e físico estão em sintonia prontos para encarar as agruras do dia a dia, pois tem a certeza que possa contar e ter a estima de alguém que servirá como o farol de luz nas noites mais escuras.

Relações humanas nunca serão exatas e de resultado óbvio como uma ciência matemática. Cada ser é uno, de personalidade variada e complexa, afetado e influenciado por uma série de fatores infinitos. Somos pequenos universos espalhados dentro de um mesmo planeta, se chocando e formando novas possibilidades de encontro e desencontros, onde amores, prazeres, dores e rancores entrelaçam-se e uma cadeia de ligações nevrálgicas, que em alguns casos são tão resistentes e fortes como a lei da gravidade, e em outros tão frágeis que se desmancham no ar.

Por essas conjecturas tão amarradas em um emaranhado de poréns e entretantos, por mais doloroso que seja e te pese ver a principio o bater de asas para longe de seu grande amor, a maior prova dele é abdicar do mesmo. Nestes dias tão egoístas e ausentes de um sentimento de empatia pelo outro, ter a percepção de que sua felicidade não pode ser a custa da infelicidade de alguém, pode ser a ferramenta transformadora de si mesmo. Obviamente isso não é um processo que se consiga lidar sem certas “dores de parto”, mas assim como um parto, uma nova vida pode surgir a partir dai.

Deixo aqui um pedaço de poema do Grande Pablo Neruda  sobre tudo isso:

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos

uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,

daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.

Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

…Do teu coração me diz adeus uma criança.

 

E eu lhe digo adeus.

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Guilherme Lima

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