quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A Vida é o Brasil e você é o brasileiro

Por: Guilherme Lima

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Por estes dias ocorreu-me uma epifania a altas horas da madrugada, enquanto buscava ler e escutar musica e ler para superar a insônia de uma calorenta noite de verão. Esta epifania na verdade foi que traçando um paralelo entre minha vida individual e a situação do Brasil atual, a frase titulo deste texto se encaixa perfeitamente em como se encaminha a existência não só minha, mas de boa parte das pessoas no Brasil. Mesmo sendo praticamente um convite a um belo meme da internet, ela faz sentido totalmente nos mais variados aspectos do cotidiano humano nacional.

Cada parte de nossas vidas atribuladas podem ser comparadas em uma cronologia semelhante à situação brasileira, pois ao individuo que vive na Republica federativa do Brasil, isto se torna na pratica uma verdade incontestável, quase uma lógica matemática como 2+2=4.  Digo isso embasado na ideia de que, por mais que o meio em que vivemos não determine in facto o que somos, eles condicionam e influenciam em muitas variáveis de nossa vida. Em suma, a situação politica, econômica e social do Brasil atual estende seus tentáculos visceralmente em nossas vidas nas questões profissionais, de saúde e emocional. Apesar de ser uma obviedade, não pensamos realmente que uma está relacionada à outra (situação do país VS situação de sua vida) e o quanto elas podem ser semelhantes.

Começamos pela mais óbvia de todas: a relação entre economia e nossa trajetória profissional. Nossa economia graças à interferência e inabilidade de nossos políticos, com casos de corrupção aos borbotões, desvios de verbas faraônicos e tantos outros escândalos que faria corar o mais pervertido dos demônios, está em um mar de incertezas, sem ter um bote salva vidas certo onde possa se alojar, com reformas ineficientes e que punem a parte mais vulnerável da população. Com a economia em frangalhos, não há investimento em educação e qualificação profissional, levando a uma maior estagnação econômica da população e por consequência, do país como um todo. Ai que entra a semelhança e interferência desta em nossa vida profissional: assim como nossa economia, boa parte de nossa geração em relação a sua profissão, é uma nau a deriva, perdida na imensidão de um mercado de trabalho concorrido e perigoso, sem ter uma luz do farol para seguir, ou mesmo a certeza de que se está trabalhando com o que lhe parece mais a fim com suas habilidades, aceitando qualquer subemprego para poder seguir tocando a vida.

Partimos agora para a situação politica e como ela é tão instável quanto nossa saúde, sobretudo mental, e dos mais recentes casos de o quanto a classe politica e seus mais diversos níveis (legislativo, executivo e judiciário) sustentam um sistema de manutenção de privilégios. Do deputado federal usando inúmeros laranjas, do presidente de ares vampirescos exigindo propina a um megaempresário por favores, ao Juiz do Supremo Tribunal federal dando uma de Poncio Pilatos ao lavar as mãos e agir como se tudo isto fosse algo justificável perante as leis. Este panorama se confunde com a situação de nossa saúde mental boa parte do tempo. Afinal, vamos criando ansiedades, transtornos de obsessão compulsiva e outros desvios comportamentais, como os políticos em relação ao seu vicio e sede por poder e sensação de impunidade e onipotência perante a sociedade. Ao nos depararmos com as manchetes dos jornais sobre o chorume que escorre dos mais importantes escalões do estado, é perfeitamente compreensível o alto índice de casos de depressão nas pessoas, já que parece que estamos no fundo do poço. Não à toa o Brasil hoje é o país com o maior índice de consumo por volume do ansiolítico clonazepam, o famoso rivotril.

Por fim, Socialmente temos a questão do preconceito e o quanto ele é danoso a nossa vida emocional. Sim meus caros, o Brasil é uma das nações mais preconceituosas do globo terrestre, Fomos um dos últimos Países do hemisfério ocidental a abolir a escravidão, o que consequentemente atingiu em cheio a condição atual da população negra no país, a maioria da nossa população. Isso a restringe aos acessos das condições mais básicas de vida, como educação, saúde, emprego e o mais importante, a um tratamento igual perante as leis, o estado e a sociedade, algo negado desde os princípios desta nação. Somos extremamente machistas, afinal, o a representação das mulheres na politica é mínima, a taxa de feminicidos por população no Brasil é extremamente alta, disparidade de salários entre homens e mulheres é absurda, sem falar nos disparates de ver homens trancados numa sala do congresso nacional, sem nenhuma mulher no recinto, decidindo pautas sobre questões ligadas as mulheres como aborto e legislação sobre estupro. Sendo um país machista, consequentemente a homofobia se torna outra chaga pesada em nosso seio social. Empecilhos burocráticos e resistência de setores conservadores ao casamento gay; xingamentos e agressões a casais do mesmo sexo em publico; condenação da própria família; discursos de ódio diretamente ligado a grupos LGBT; estes e tantos outros problemas gerados pela homofobia estão ai para quem quiser ver, basta entrar em seu facebook ou twitter e olhar alguma timeline alheia e perceber o show de horrores homofóbicos.

Isto tudo nos leva a questão de que por medo, até mesmo pela própria vida, muitos ocultam e escondem seus sentimentos ou tentam nega-los, com medo da condenação da sociedade por seus sentimentos. Muitos círculos sociais condenam, por exemplo, casais inter-raciais e do mesmo sexo, sobretudo seus próprios familiares. Outra situação espinhosa é em relação às mães solteiras, que sofrem por muitos não quererem se relacionar com elas por terem um filho, além das censuras de muitas pessoas quando estas saem para se divertir, já que na visão tacanha e medieval destas, “mãe não pode se divertir, deve viver exclusivamente para o filho”.

O que me da alento as conclusões que tive é que a solução pode advir dos indivíduos e não das instituições decrépitas atuais. A chamada revolução de si mesmo pode servir para modificar a conjuntura total brasileira. Romper com os velhos mecanismos de um modelo podre, amparados em preconceitos e ideias que já não condizem com os tempos atuais, deve começar por nos mesmos. Exorcizar nossos demônios internos (hábitos tóxicos, costumes sínicos e depreciativos, preconceitos estúpidos) é o primeiro passo para sair da desmotivação inerte que atualmente nos encontramos. Eu realmente quero crer nisso, pois assim não tenho que dar razão à frase cunhado por Bezerra da Silva décadas atrás:

“Para o Brasil dar certo, só no dia que morcego doar sangue e o saci cruzar as pernas”.

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Sobre o autor

Guilherme Lima

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