domingo, 28 de janeiro de 2018

Divagações sobre a Efemeridade Contemporânea

Por: Davi Augusto

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A contemporaneidade é uma época estranha. Ela é considerada como o tempo em que vivemos no presente, mas existem aqueles que não se consideram contemporâneos, ou ainda os que não veem o tempo atual como contemporâneo para si mesmos. Acredito que para falar sobre a atual conjuntura social em que vivemos, se faz necessário lançar um olhar demorado sobre as relações sociais que se “constroem” cotidianamente. Laços esses que estão cada vez mais frouxos e sem força, obedecendo a lógica efêmera imposta pelo homem contemporâneo, pois, para ele, é melhor ter do que ser e não é preciso se arrepender por isso, uma vez que todos os outros também pensam assim; é uma roda-gigante de acomodados.

Sendo tão cheia de vazios, a sociedade acaba por cometer sérios erros consigo mesma. Erros esses que têm se tornado cada vez mais presentes no cotidiano e que, segundo Bauman (2001), são gotas do líquido moderno que submerge o tecido social da atualidade. Manifestações de ódio, intolerância e desrespeito se traduzem como fatos sociais efêmeros, adquirindo o papel de paradigmas que nos tornam cada vez mais submissos aos mandos e desmandos do ser social em contínua ascensão.

Lipovetsky (2009) também nos diz que a ditadura da efemeridade se torna real a partir da fluidez com que as relações humanas se banalizam no mundo contemporâneo. Seja pela pressão comum, falta de equilíbrio ou ainda pela ausência de profundidade, a tendência atual é de que os sentimentos sejam renegados ao segundo plano, e as emoções digitais como “curtidas, ameis e uaus” sejam a base das interações sociais que cada dia se tornam mais líquidas, quase a ponto de evaporarem.

Para mais, andamos ultimamente como os personagens do romance “A peste” do francês Albert Camus. Nessa narrativa existencialista, as pessoas sabem onde estão, com quem estão, mas não sabem o porquê e nem como sair de onde estão. Ao redor delas, existe uma terrível doença que se anuncia de forma lenta, porém agressiva, e que as obriga a dançar conforme o ritmo da música. Ela não tem um foco principal ou um só agente transmissor, e muito menos cura. Ela é o que ninguém esperava: eles mesmo. Há algo pior do que isso?

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CAMUS, Albert. A Peste. Lisboa: Editora Livros do Brasil Lisboa, 1970.

LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero. Rio de Janeiro: Editora Companhia das Letras, 2009.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2001.

 

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